Buriti Alegre abriga um hospital. Um só. E este hospital, a Santa Casa de Misericórdia, é mais do que um prédio com leitos e paredes gastas pelo tempo: é a única esperança para milhares de buritialegreses quando a dor aperta, a febre não passa ou o desespero bate à porta. Só que de tempos em tempos, essa esperança anda combalida, as vezes sem insumos, as vezes sem profissionais suficientes para acolher o paciente.
A Santa Casa, que deveria ser sinônimo de amparo e cuidado, frequentemente enfrenta limitações graves. Pacientes humildes — que não têm como correr para outra cidade — são recebidos por uma equipe que se desdobra além do possível, mas que também sofre com a falta de estrutura. A verdade nua e crua é: ninguém procura um hospital por capricho. Quem entra ali está precisando, está fragilizado, está buscando socorro. E merece respeito.
Nos últimos dias, um novo capítulo acendeu ainda mais a preocupação da população: rumores sobre a possível saída da atual provedora da Santa Casa, responsável por conduzir, com esforço e resiliência, a administração da unidade mesmo em meio ao caos estrutural. A notícia caiu como uma bomba silenciosa — aquela que ninguém ouve, mas todo mundo sente. A cidade inteira comentou, especulou, se entristeceu. Mas até agora, SILÊNCIO. Nenhuma nota oficial. Nenhuma explicação. Nenhum posicionamento claro.
O que se ouve, na cidade e nas redes, é que o principal motivo da possível renúncia seria justamente a falta de suporte do poder público. E essa é uma ferida profunda. Qualquer um que acompanhe de perto a rotina da Santa Casa sabe que há tempos os gestores sempre precisam de ajuda. Não se trata de vaidade política, mas de urgência humanitária.
É preciso refletir: por que um hospital centenário, que deveria ser prioridade é tratado como um fardo a ser empurrado com a barriga? E mais: até quando a população mais vulnerável vai precisar se contentar com migalhas quando o assunto é saúde?
Não é hora de procurar culpados apenas. É hora de unir forças. A Santa Casa precisa de insumos, sim. Precisa de profissionais, sim. Mas acima de tudo, precisa de respeito. De resposta. De ação.
Se a provedora for mesmo sair, quem entra? E com quais condições? Se continuar, com que apoio? O silêncio, neste momento, não é neutralidade — é omissão.
Buriti Alegre merece mais. Merece um hospital funcionando com dignidade. E, sobretudo, merece que a saúde seja prioridade, não promessa.
Editorial – por Redação Conexão Brasil Goiás.


