Skip to content

Defensoria de Goiás processa emissoras de TV e pede R$ 1 milhão por suposta exposição indevida de mãe de crianças mortas em Itumbiara

Órgão alega que exibição de vídeo teria estimulado ataques virtuais contra a mãe das vítimas e pede retirada do conteúdo, retratação pública e indenização por danos morais coletivos..

A Defensoria Pública do Estado de Goiás ingressou com uma ação civil pública contra as emissoras Globo, CNN Brasil, Record e SBT, solicitando indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos. O órgão sustenta que a cobertura jornalística relacionada ao caso das duas crianças mortas em Itumbiara teria contribuído para ataques virtuais contra Sarah Araújo, mãe dos meninos.

Segundo a Defensoria, reportagens exibidas pelas emissoras divulgaram imagens em que Sarah aparece beijando um homem. O vídeo, conforme consta na ação, teria sido contratado pelo ex-marido, Thales Machado, por meio de um detetive particular. Para o órgão, a exibição do material reforçou uma narrativa de suposta traição, o que teria provocado um intenso julgamento nas redes sociais e resultado em um “linchamento virtual”.

O caso envolve a morte de Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8. O crime ocorreu na madrugada do dia 12 deste mês, dentro do condomínio onde a família residia, em Itumbiara. De acordo com as investigações, Thales Machado teria efetuado disparos contra os filhos e, em seguida, tirado a própria vida. Miguel morreu ainda no local. Benício foi socorrido, mas faleceu no dia seguinte em decorrência dos ferimentos.

A investigação é conduzida pela Polícia Civil, por meio do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Itumbiara, que informou não haver indícios de participação de terceiros no caso.

A Defensoria também afirma que Sarah já não mantinha relacionamento com o ex-marido no momento do crime e que a divulgação do vídeo intensificou a hostilidade pública. Conforme relatado, durante o velório das crianças, a mãe precisou de escolta policial devido às manifestações contra ela.

No processo, o órgão pede a retirada das reportagens e de publicações consideradas ofensivas no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Também solicita a veiculação de nota de retratação e o pagamento da indenização por danos morais coletivos.

O pedido de liminar para remoção imediata do conteúdo foi analisado pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), mas não foi concedido neste momento. A Corte entendeu que a complexidade do caso impede decisão em caráter emergencial, determinando que a ação siga seu curso regular.

Em nota, a CNN Brasil informou que ainda não foi formalmente notificada e declarou que não exibiu o vídeo mencionado na ação. A Globo afirmou que também não recebeu comunicação oficial sobre o processo. Record e SBT informaram que não irão se manifestar neste momento.

O espaço permanece aberto para novas manifestações das partes envolvidas.

ação civil públicacaso Itumbiaradanos morais coletivosDefensoria Pública de GoiásGIH Itumbiarainvestigação criminalITUMBIARAlinchamento virtualmídia e responsabilidadePolícia Civil de GoiásTribunal de Justiça de Goiás