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Justiça determina retomada de câmeras corporais na PM de Santa Catarina

Decisão obriga governo estadual a apresentar plano de reimplantação da tecnologia em até 90 dias.

A Justiça de Santa Catarina determinou que o governo estadual retome o uso de câmeras corporais nas fardas da Polícia Militar de Santa Catarina. A decisão foi proferida pela 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital e estabelece prazo de 90 dias para apresentação de um novo plano de implantação da tecnologia.

Segundo a sentença, o encerramento do programa em 2024 representou um retrocesso na proteção de direitos fundamentais, transparência das ações policiais e produção de provas em investigações criminais.

Justiça vê “retrocesso” no fim do programa

Na decisão, o Judiciário catarinense entendeu que problemas técnicos apontados pelo governo estadual — como obsolescência dos equipamentos, falhas de armazenamento e dificuldades operacionais — não justificariam o encerramento da política pública.

O texto destaca que as dificuldades deveriam ter levado à modernização do sistema, e não à interrupção completa do uso das câmeras corporais.

Novo sistema deverá ter tecnologia atualizada

A decisão deixa claro que o Estado não precisará reutilizar os equipamentos antigos. O governo deverá criar um novo programa, com tecnologia atualizada e alinhada às normas nacionais de segurança pública previstas no Pacote Anticrime e nas diretrizes da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

O plano deverá conter:

  • Cronograma de implantação
  • Metas de cobertura
  • Responsáveis pela execução
  • Previsão orçamentária
  • Fontes de financiamento

Estado também terá de apresentar plano para reduzir letalidade policial

Além da retomada das câmeras, a Justiça determinou que o governo apresente, em até 180 dias, um plano específico de redução da letalidade policial no estado.

A sentença também prevê:

  • Relatórios periódicos ao Judiciário
  • Fiscalização permanente do programa
  • Criação de comitê intersetorial com participação da sociedade civil, Ministério Público, Defensoria Pública e OAB

Dados de mortes pesaram na decisão

Informações citadas no processo apontam que Santa Catarina registrou 92 mortes decorrentes de ações da Polícia Militar em 2025, o maior número desde 2019 e um aumento de 24,3% em relação a 2024.

O crescimento ocorreu justamente no primeiro ano completo sem utilização das câmeras corporais pelos agentes.

Governo ainda pode recorrer

Em nota, a Polícia Militar informou que ainda não foi oficialmente notificada da decisão e afirmou que o caso será analisado juridicamente pelo governo estadual antes da definição das próximas medidas.

A decisão ainda cabe recurso.

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