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Zacharias revela bastidores da ida ao MDB, fala sobre recursos de campanha e cobra investigação do Master

Candidato ao Senado afirmou que eventual investigação não deve se restringir a integrantes do Judiciário e defendeu apuração de políticos independentemente de partido; deputado também contou que conversou com PL e PSDB antes de aceitar convite do MDB.

O deputado federal e candidato ao Senado por Goiás Zacharias Calil (MDB) defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso Banco Master e afirmou que uma eventual apuração deve alcançar todos os envolvidos, independentemente de partido ou grupo político.

As declarações foram dadas nesta quarta-feira (23), durante participação na série de sabatinas promovida pelo Mais Goiás com candidatos às duas vagas de Goiás no Senado Federal.

Ao abordar o caso, Zacharias argumentou que parte da repercussão pública tem se concentrado em personagens ligados ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente no ministro Alexandre de Moraes, mas afirmou que uma investigação parlamentar não deveria se limitar ao Judiciário.

“Tem que pegar todos”, declarou o candidato.

Zacharias citou expressamente diferentes grupos políticos e afirmou que integrantes do bolsonarismo, União Brasil, MDB ou qualquer outra legenda deveriam ser investigados caso existam elementos que justifiquem a apuração.

Segundo ele, uma CPI permitiria ampliar a transparência sobre as eventuais responsabilidades relacionadas ao caso e apresentar à sociedade as conclusões alcançadas pelo Congresso.

A declaração representa o posicionamento do candidato durante a sabatina. A criação de uma CPI no Senado depende do cumprimento dos requisitos regimentais, incluindo o apoio mínimo de um terço dos integrantes da Casa e a indicação de fato determinado a ser investigado.

Conversas com PL e PSDB antes do MDB

Zacharias também revelou detalhes das articulações partidárias que antecederam sua filiação ao MDB.

O médico deixou o União Brasil depois de enfrentar dificuldades para viabilizar sua candidatura ao Senado pela legenda. Antes de definir seu novo partido, afirmou ter mantido conversas com diferentes siglas.

Segundo Zacharias, havia diálogo com o Podemos havia cerca de três anos. Durante o período de indefinição, também conversou com Marconi Perillo, do PSDB, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e Wilder Morais.

O parlamentar afirmou que chegou a estar “praticamente alinhado” em uma dessas articulações antes de receber um convite de Daniel Vilela para ingressar no MDB.

Zacharias relatou que também conversou com o presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, e recebeu a garantia de que seria o candidato do partido ao Senado.

Segundo o deputado, Daniel argumentou durante as tratativas que o MDB de Goiás não elegia um senador havia mais de três décadas e apresentou a candidatura como uma oportunidade para a legenda voltar a ocupar uma cadeira na Casa.

Zacharias acabou se filiando ao MDB em março e atualmente disputa o Senado pelo partido. O parlamentar foi eleito deputado federal em 2018 e reeleito em 2022.

Recursos de campanha entram na sabatina

A estrutura financeira da campanha também foi questionada durante a entrevista.

Zacharias afirmou que esperava receber recursos para sustentar uma campanha majoritária e declarou estar trabalhando com R$ 2,85 milhões disponibilizados pelo partido.

Dados públicos de prestação de contas eleitoral registram repasses de R$ 2,85 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha provenientes da direção nacional do MDB para a candidatura de Zacharias.

Durante a sabatina, o candidato também comentou a saída de Thales Jayme, inicialmente anunciado como primeiro suplente de sua chapa.

Zacharias negou que o rompimento tenha ocorrido por questões financeiras e afirmou que seus atuais suplentes não possuem condições de realizar aportes relevantes à campanha.

A primeira suplência atualmente é ocupada por Leonardo Reis, enquanto Conceição do Entorno figura como segunda suplente.

Apesar dos episódios envolvendo sua mudança partidária e a composição da chapa, Zacharias afirmou manter boa relação com Daniel Vilela e disse estar satisfeito com sua permanência no MDB.

O candidato também comentou a existência de diferentes nomes ligados à base governista na disputa pelas duas vagas ao Senado. Citou Gracinha Caiado, Vanderlan Cardoso e Gustavo Mendanha e destacou características políticas de cada um, deixando a escolha final para o eleitor.

As sabatinas do Mais Goiás continuam nesta quarta-feira com Gracinha Caiado e terminam na quinta-feira (24), quando serão entrevistados Gustavo Gayer e Gustavo Mendanha.

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