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PF rastreia R$ 60 mil em espécie e pagamentos a integrantes do governo em investigação que envolve Lulinha

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam depósitos para dois integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social; seis meses depois, pasta fechou contrato de R$ 31,2 milhões com empresa representada pela lobista. Defesas contestam suspeitas e Lulinha nega relação com os pagamentos.

A Polícia Federal identificou mensagens e comprovantes bancários que, segundo a investigação, indicam pagamentos feitos por determinação da lobista Roberta Luchsinger a integrantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), comandado por Wellington Dias.

Roberta é investigada em inquéritos que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sob suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

As novas informações constam de dados obtidos pela PF a partir da quebra de sigilo da lobista.

Segundo a investigação, mensagens encontradas no celular de Roberta mostram que, em 2 de junho de 2023, ela orientou seu auxiliar Ulisses Barbosa a utilizar parte de R$ 60 mil mantidos em espécie em sua residência para realizar depósitos em três contas.

Entre os destinatários identificados estão Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do MDS, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial da pasta. Uma terceira conta seria de uma pessoa ligada a Martinho.

A Polícia Federal também teve acesso aos comprovantes das operações.

Nas conversas analisadas pelos investigadores, Ulisses teria demonstrado preocupação com a movimentação do dinheiro e com a possibilidade de os depósitos provocarem alertas do sistema bancário.

A PF agora analisa os dados obtidos nas quebras de sigilo para verificar se outros integrantes da pasta também receberam recursos.

Contrato de R$ 31,2 milhões entra no radar

Outro elemento chamou a atenção dos investigadores.

Aproximadamente seis meses depois dos pagamentos identificados nas mensagens, o Ministério do Desenvolvimento Social fechou contrato de R$ 31,2 milhões com a 3Structure, empresa de tecnologia ligada ao empresário Cléber Ribas e que era representada por Roberta.

Posteriormente, houve um aditivo de R$ 2,7 milhões, em novembro de 2025. Em abril deste ano, o ministério celebrou outro contrato com a empresa, desta vez no valor de R$ 19,2 milhões.

A proximidade temporal entre os pagamentos e a contratação passou a ser analisada pelos investigadores, mas, por si só, não comprova a existência de contrapartida ou irregularidade entre os episódios.

Registros do ministério apontam ainda que Roberta esteve na pasta ao menos 17 vezes entre janeiro de 2023 e maio de 2024. Ranniêr teria sido responsável por recebê-la em pelo menos seis dessas visitas.

Em outra conversa analisada pela PF, de junho de 2023, Roberta teria informado a Cléber Ribas que estava com Ranniêr e que estava tratando de um problema relacionado ao empresário.

Investigação também envolve Lulinha

Roberta Luchsinger é investigada ao lado de Lulinha em três inquéritos que tramitam sob responsabilidade do Supremo Tribunal Federal.

As apurações surgiram a partir de elementos encontrados durante buscas e quebras de sigilo realizadas no contexto da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de desvios envolvendo aposentadorias e pensões do INSS.

A PF apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

A investigação também aponta outras movimentações financeiras envolvendo Roberta, inclusive valores mantidos em espécie. Mensagens analisadas pelos investigadores fazem referência a aproximadamente R$ 500 mil guardados em malas e à possível entrega de R$ 193 mil ao empresário Fernando Bittar, que negou conhecimento sobre a operação.

Defesas contestam

A defesa de Roberta afirmou desconhecer as conversas reveladas e criticou o vazamento de informações de uma investigação que tramita sob sigilo, atribuindo a divulgação a interesses político-eleitorais.

Já a defesa de Lulinha afirmou que não é possível confirmar a autenticidade das mensagens e ressaltou que Fábio Luís não realizou os depósitos mencionados.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho sustenta que seu cliente não possui relação com os pagamentos e nega envolvimento de Lulinha em irregularidades ou desvios de recursos públicos.

A 3Structure também negou ter conhecimento dos pagamentos. A empresa afirma que seus contratos com o governo federal seguiram as normas de contratação pública e passaram pelas instâncias técnicas e de controle correspondentes.

Até o momento, os elementos divulgados integram uma investigação em andamento e não representam condenação dos envolvidos. A PF continua analisando as movimentações financeiras e as relações entre os personagens citados para determinar se houve prática de crimes ou conexão ilícita entre os pagamentos e contratos públicos.

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