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Quem é Tati Mônico, goiana criada na roça que virou comandante de Boeing

Nascida em Goiânia e criada no interior, piloto enfrentou resistência por ser mulher, construiu carreira na aviação e transformou a internet em ferramenta para compartilhar conhecimento sobre os céus.

Antes de ocupar a cabine de comando de um Boeing 737, Tati Mônico conheceu uma realidade bem distante dos grandes aeroportos. Nascida em Goiânia e criada na zona rural de Mozarlândia, no interior de Goiás, ela cresceu olhando para o céu e alimentando um sonho que, naquele momento, parecia difícil de alcançar: tornar-se piloto de avião.

O caminho entre a infância na roça e as quatro faixas de comandante nos ombros não foi linear. Além das exigências técnicas e financeiras da formação, Tati precisou enfrentar uma barreira que nada tinha a ver com sua capacidade de pilotar: o preconceito contra mulheres dentro de um ambiente profissional historicamente masculino.

Hoje, além de comandar aeronaves comerciais, a goiana reúne mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais e utiliza sua experiência para aproximar o público do universo da aviação.

Um sonho que começou no interior de Goiás

A possibilidade de transformar o interesse por aviões em profissão começou a ganhar forma quando a irmã mais velha encontrou um curso de formação para pilotos em uma relação de opções de graduação.

Tati decidiu seguir aquele caminho.

Durante a formação, viveu uma das experiências que mais marcam a trajetória de qualquer piloto: o primeiro voo solo. Aquele momento representava mais do que uma etapa técnica. Era a confirmação de que a menina criada no campo poderia, de fato, construir uma carreira nos céus.

Antes de chegar aos grandes jatos, acumulou experiência em diferentes aeronaves, entre elas Aero Boero, Sêneca e Corisco.

Preconceito quase interrompeu a carreira

As dificuldades mais marcantes surgiram quando Tati começou a buscar espaço profissional.

Em um mercado ainda predominantemente masculino, ela relata ter perdido oportunidades simplesmente por ser mulher.

Um dos episódios mais duros aconteceu durante um trabalho relacionado a uma campanha política no Tocantins. Na ocasião, outro comandante questionou sua capacidade física para exercer a profissão e sugeriu que ela desistisse.

A fala teve impacto. Tati chegou a considerar abandonar o caminho que havia escolhido, mas decidiu continuar.

Anos depois, a presença dela no comando de um Boeing 737 representa uma resposta prática às dúvidas que foram lançadas sobre sua capacidade no início da carreira.

Das aeronaves menores ao Boeing 737

A trajetória profissional avançou gradualmente.

A experiência acumulada em diferentes tipos de aeronaves permitiu que Tati alcançasse posições de maior responsabilidade até chegar ao comando de um Boeing 737.

O posto de comandante representa o nível mais elevado de responsabilidade operacional dentro de uma aeronave comercial. Cabe a esse profissional tomar decisões relacionadas à condução do voo, segurança e operação, além de liderar a tripulação técnica.

Para Tati, chegar à cabine com as quatro faixas características da função passou a simbolizar também tudo o que precisou superar para permanecer na profissão.

Internet surgiu por uma necessidade familiar

A presença de Tati nas redes sociais nasceu de uma circunstância completamente diferente da carreira na aviação.

Ela é mãe de dois filhos autistas e começou a produzir conteúdo na internet diante dos custos envolvidos nas terapias das crianças. Um dos diagnósticos ocorreu durante o período da pandemia de Covid-19.

O que inicialmente surgiu como uma alternativa para complementar a renda ganhou uma dimensão que ela não previa.

Tati começou a transformar sua experiência profissional em conteúdo acessível ao público. Passou a explicar turbulências, funcionamento das aeronaves, procedimentos de segurança, incidentes aéreos e situações que normalmente despertam curiosidade ou medo nos passageiros.

A audiência cresceu até ultrapassar a marca de 2 milhões de seguidores.

História passou a incentivar outras mulheres

Com a exposição nas redes, Tati começou a receber mensagens de mulheres que também sonhavam em trabalhar na aviação.

Algumas relatavam ter abandonado o projeto profissional e decidido retomá-lo depois de acompanhar a trajetória da comandante.

A história pessoal passou, assim, a ocupar um espaço que vai além das curiosidades sobre aviões.

A menina criada no interior de Goiás, que enfrentou resistência para conquistar espaço em uma profissão predominantemente masculina, passou a servir de referência para outras mulheres interessadas em seguir carreira na aviação.

Mesmo nos céus, vínculo com a roça permanece

A carreira e a popularidade digital não eliminaram a relação de Tati com suas origens.

Nas redes sociais, a comandante também mostra momentos longe das aeronaves e mantém a ligação com a vida no campo que marcou sua infância.

É justamente o contraste que torna sua trajetória singular: de um lado, a tecnologia e a responsabilidade envolvidas no comando de um Boeing; do outro, as raízes construídas na zona rural de uma cidade do interior goiano.

Entre esses dois mundos está uma carreira construída ao longo de anos — e que quase foi interrompida quando disseram a ela que pilotar não era um caminho possível.

Tati continuou. E chegou ao comando.

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