Ronaldo Caiado (PSD) decidiu recorrer à própria trajetória política para reforçar uma das principais mensagens de sua campanha à Presidência da República: a oposição ao PT. Em uma nova inserção eleitoral, o ex-governador de Goiás recupera registros de diferentes momentos de sua carreira, incluindo a primeira disputa pelo Palácio do Planalto, em 1989, e pronunciamentos feitos anos depois no Senado.
A estratégia aparece nos últimos dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4), e busca apresentar o enfrentamento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao partido como uma posição que antecede as atuais divisões dentro do campo da direita.
Na peça, Caiado questiona o eleitor sobre qual lado ocupa na disputa política e responde afirmando que sua posição sempre foi contrária ao PT.
Campanha recupera imagens de 1989
Um dos principais elementos utilizados pela propaganda é a trajetória de Caiado na política nacional.
Em 1989, na primeira eleição presidencial realizada por voto direto após a redemocratização, o então líder ruralista disputou a Presidência pelo PSD, aos 40 anos.
Lula também participou daquela eleição, chegou ao segundo turno e acabou derrotado por Fernando Collor.
Ao recuperar imagens daquele período, a campanha atual procura demonstrar que a oposição de Caiado ao campo político representado pelo petista não surgiu em função da eleição de 2026.
O material conecta aquela disputa a outros episódios ocorridos durante as décadas seguintes.
Discursos no Senado entram na propaganda
A inserção também utiliza pronunciamentos feitos por Caiado quando exercia mandato no Senado.
Nos trechos selecionados pela campanha, ele faz críticas duras a administrações petistas e associa o partido a episódios de corrupção.
As declarações são apresentadas pela propaganda como demonstração de continuidade de posicionamento político.
As acusações exibidas no vídeo representam manifestações feitas por Caiado em diferentes momentos de sua carreira. A utilização desses discursos na campanha atual ocorre dentro de uma estratégia eleitoral de contraposição direta a Lula e ao PT.
Estratégia busca espaço dentro do eleitorado de direita
A mensagem também pode ser compreendida dentro da disputa existente no próprio campo conservador.
Caiado passou boa parte da campanha defendendo que possui experiência administrativa e trajetória política suficientes para enfrentar Lula. Ao mesmo tempo, precisou disputar espaço com candidaturas ligadas ao bolsonarismo.
Nos últimos meses, o candidato do PSD chegou a divergir publicamente de integrantes da família Bolsonaro e rejeitou movimentos para concentrar a oposição em apenas uma candidatura ainda no primeiro turno.
Apesar dessas divergências, Caiado mantém o enfrentamento ao PT como um dos elementos centrais de sua identidade eleitoral.
Em abril, ao reafirmar que permaneceria na corrida presidencial, argumentou que seus mais de 40 anos de vida pública e sua experiência no Executivo o credenciavam para enfrentar Lula. Meses depois, também passou a se apresentar como uma alternativa competitiva para um eventual segundo turno contra o atual presidente.
Goiás aparece como vitrine da candidatura
Além da oposição ao PT, Caiado tem utilizado os resultados de sua passagem pelo Governo de Goiás como argumento para sustentar a candidatura nacional.
O ex-governador deixou o Executivo estadual no fim de março para se dedicar à campanha presidencial e passou o comando do Estado ao então vice Daniel Vilela (MDB).
Desde então, segurança pública, gestão fiscal, programas sociais e resultados administrativos em Goiás aparecem entre os temas utilizados pelo candidato para defender sua experiência no Executivo.
A estratégia combina, portanto, dois pilares: apresentar o período à frente de Goiás como demonstração de capacidade administrativa e recuperar a longa trajetória política para reforçar sua posição ideológica.
Reta final acirra disputa pelo voto antipetista
Com a proximidade das urnas, a nova propaganda deixa evidente o eleitor que Caiado pretende mobilizar nesta etapa da campanha.
Ao recuperar registros de 1989 e pronunciamentos feitos décadas depois, o candidato tenta diferenciar sua trajetória da de outros nomes da direita e sustentar que o enfrentamento ao PT faz parte de sua atuação política muito antes da atual eleição.
A inserção termina apresentando Caiado como o candidato preparado para enfrentar Lula.
A definição, entretanto, caberá ao eleitor no primeiro turno deste domingo, quando os brasileiros escolherão os candidatos que poderão seguir diretamente para a Presidência ou disputar um eventual segundo turno em 25 de outubro.

