Uma forte tempestade registrada na segunda-feira (12) provocou momentos de tensão no Rio Araguaia e deixou um cenário de destruição em Aruanã, no noroeste de Goiás. Enquanto pescadores enfrentaram ventos intensos e descargas elétricas durante uma viagem de barco, equipes do Corpo de Bombeiros encontraram dezenas de aves mortas ou feridas em uma praça da cidade.
Os episódios ocorreram em localidades diferentes da região do Araguaia, durante um período de instabilidade climática. Em Aruanã, pelo menos 28 maritacas e periquitos morreram. A causa exata das mortes ainda não foi confirmada.
Pescadores enfrentam raios e ondas no Rio Araguaia
Um grupo de pescadores navegava pelo Rio Araguaia, no trecho entre Cocalinho, em Mato Grosso, e São José dos Bandeirantes, distrito de Nova Crixás, em Goiás, quando foi surpreendido por uma mudança brusca nas condições do tempo.
O vento ganhou intensidade, provocando forte movimentação da água e dificultando a navegação. Além das ondas, os ocupantes da embarcação enfrentaram descargas elétricas nas proximidades.
Parte da situação foi registrada em vídeo por um dos pescadores. As imagens mostram o barco avançando em meio à água agitada, enquanto os ocupantes tentam lidar com a tempestade.
Bruno Ramos, um dos integrantes do grupo, contou ao Mais Goiás que os raios representaram uma das maiores preocupações durante o episódio.
Diante das condições adversas, os pescadores decidiram interromper o percurso e procurar proteção às margens do rio, aguardando a melhora do tempo.
Ventos podem ter ultrapassado 50 km/h
A intensidade da tempestade também chamou a atenção de especialistas em meteorologia.
Segundo André Amorim, gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), estações meteorológicas próximas à região registraram rajadas em torno de 35 km/h.
Entretanto, a análise das imagens da embarcação indica que os ventos podem ter ultrapassado 50 km/h no trecho onde os pescadores estavam.
Essa velocidade é uma estimativa baseada nas condições observadas, e não uma medição direta realizada no local.
A combinação de ventania, descargas elétricas e ondas representa risco para embarcações, especialmente em áreas abertas e durante mudanças repentinas do tempo.
Pelo menos 28 aves morrem após tempestade em Aruanã
Em Aruanã, a madrugada de segunda-feira também foi marcada por fortes ventos e danos à vegetação urbana.
Na Praça Couto Magalhães, localizada na região central do município, moradores e equipes de resgate se depararam com diversas maritacas e periquitos caídos no chão.
O Corpo de Bombeiros confirmou a morte de pelo menos 28 aves. Outros animais foram encontrados feridos, alguns em estado grave.
Durante a ocorrência, os militares identificaram um galho quebrado em uma árvore utilizada pelas aves para passar a noite.
A descoberta levantou hipóteses sobre o que poderia ter provocado as mortes, mas nenhuma delas foi confirmada.
Bombeiros resgatam aves sobreviventes
As equipes conseguiram recolher aproximadamente 18 aves que ainda apresentavam sinais de vida.
Os animais foram encaminhados para atendimento especializado em Goiânia. Entretanto, segundo informações repassadas pelo sargento Caetano, do Corpo de Bombeiros, apenas sete teriam chegado vivas ao destino.
O número revela a gravidade dos ferimentos encontrados durante o resgate.
As circunstâncias da ocorrência ainda precisam ser esclarecidas para determinar se os animais foram atingidos por descargas elétricas, pela queda de galhos ou pela própria força do vento.
Causa das mortes permanece desconhecida
Apesar de os animais terem sido encontrados após a tempestade, ainda não há confirmação técnica sobre o que provocou as mortes.
A possibilidade de descarga elétrica é uma das hipóteses consideradas, assim como os impactos da ventania sobre as árvores utilizadas pelas aves como abrigo.
A presença de animais mortos no mesmo local não é suficiente, isoladamente, para determinar a causa.
Até a divulgação das informações, não havia resultado de exame técnico conclusivo sobre o episódio.
Temporais exigem atenção de quem navega
Os acontecimentos reforçam os riscos associados às tempestades na região do Araguaia, especialmente para pescadores, turistas e moradores que utilizam embarcações.
Durante a ocorrência de raios e ventos fortes, a orientação de segurança é evitar permanecer em áreas abertas, interromper atividades aquáticas e procurar abrigo adequado.
Em caso de tempestade durante a navegação, a aproximação de um ponto seguro para desembarque deve ser feita conforme as condições locais, sem exposição desnecessária a descargas elétricas ou à instabilidade da embarcação.
O acompanhamento dos alertas meteorológicos antes de iniciar viagens também pode ajudar a reduzir os riscos.
Os episódios registrados na segunda-feira evidenciam como mudanças intensas no tempo podem afetar tanto a segurança das pessoas quanto a fauna da região.

