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Bombeira de Goiás conclui formação militar durante tratamento contra câncer de mama

Diagnosticada aos 27 anos, Raiara Nogueira enfrentou sessões de quimioterapia durante o curso do Corpo de Bombeiros e hoje atua em Valparaíso de Goiás.

Diagnosticada aos 27 anos, Raiara Nogueira conciliou sessões de quimioterapia com treinamentos militares em Goiânia. Hoje, aos 29, atua no Corpo de Bombeiros e continua o tratamento contra a doença.

Aos 27 anos, Raiara Nogueira vivia a realização de um sonho profissional quando recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Havia apenas dois meses que ela tinha começado o curso de formação do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO), em Goiânia. A notícia trouxe incertezas e exigiu mudanças em sua rotina, mas não interrompeu o caminho que havia escolhido.

Durante meses, Raiara dividiu seu tempo entre sessões de quimioterapia, treinamentos físicos, avaliações práticas e atividades militares. Apesar dos efeitos do tratamento e das restrições médicas, conseguiu concluir a formação em maio de 2025.

Atualmente, aos 29 anos, ela integra a equipe operacional do 24º Batalhão de Bombeiros Militar, em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.

Diagnóstico veio durante o início da formação

Natural de Brasília, Raiara começou o curso de formação em 5 de agosto de 2024. Em outubro daquele ano, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, descobriu a doença.

O diagnóstico ocorreu em um momento em que se sentia preparada física e emocionalmente para iniciar a carreira militar.

A quimioterapia começou em dezembro de 2024, enquanto ela ainda precisava cumprir as exigências da formação.

O curso tinha uma rotina intensa, com atividades iniciadas pela manhã e retomadas após o intervalo do almoço. Paralelamente, a futura bombeira precisava comparecer às sessões de tratamento, realizadas a cada 21 dias.

Quimioterapia e atividades militares exigiram adaptações

Conciliar o tratamento oncológico com as atividades do curso não foi simples.

Raiara enfrentou efeitos colaterais que se intensificaram ao longo dos meses, incluindo retenção de líquidos e alterações nas unhas. Também precisou respeitar restrições estabelecidas por sua equipe médica.

Mesmo diante dessas dificuldades, continuou participando das atividades que sua condição de saúde permitia.

Segundo relatou ao Mais Goiás, a decisão de permanecer no curso estava relacionada ao desejo de concretizar um objetivo pessoal pelo qual havia se preparado.

A continuidade das atividades físicas ocorreu dentro de suas condições individuais e com limitações médicas. Isso não significa que treinamentos intensos sejam indicados para todas as pessoas em tratamento contra o câncer.

Apoio dos colegas marcou etapa da formação

Entre os episódios mais significativos daquele período, Raiara destaca uma avaliação prática que exigia caminhada com bomba costal, equipamento utilizado no combate a incêndios florestais.

A atividade aconteceu quando ela já enfrentava maior desgaste físico em decorrência do tratamento.

Durante o percurso, recebeu incentivo de colegas e instrutores, que a ajudaram a manter a motivação até concluir a prova.

O momento ficou marcado na memória da militar, não apenas pela exigência física, mas pelo apoio recebido durante uma fase delicada de sua vida.

Formatura aconteceu em maio de 2025

Após aproximadamente dez meses de preparação, Raiara concluiu o curso em maio de 2025.

A formatura representou a realização do projeto profissional iniciado antes do diagnóstico.

Na mesma época, ela também finalizou as sessões de quimioterapia, iniciadas em dezembro do ano anterior.

Depois de concluir a formação, foi designada para o 24º Batalhão de Bombeiros Militar, em Valparaíso de Goiás, onde passou a atuar na área operacional.

A trajetória reúne duas experiências importantes: a conclusão da preparação para uma profissão que exige dedicação física e emocional e o enfrentamento de um tratamento médico complexo.

Bombeira continua em tratamento contra a doença

Embora tenha encerrado a etapa de quimioterapia, Raiara ainda realiza acompanhamento oncológico.

Recentemente, passou por uma cirurgia na mama e segue em recuperação. Seu tratamento inclui terapia-alvo, com aplicação de medicamento a cada 21 dias, e hormonioterapia oral diária.

Por esse motivo, precisa viajar periodicamente a Goiânia para consultas e procedimentos relacionados à recuperação e ao acompanhamento da doença.

A continuidade do tratamento é uma informação importante: a conclusão do curso e o retorno às atividades profissionais não significam, por si só, que o acompanhamento médico tenha terminado.

História ganha destaque durante o Outubro Rosa

A trajetória de Raiara se torna especialmente significativa em outubro, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama.

O Outubro Rosa busca ampliar o acesso à informação, incentivar a atenção aos sinais da doença e destacar a importância do diagnóstico oportuno e do tratamento adequado.

A experiência da bombeira também evidencia a relevância das redes de apoio e das adaptações necessárias para que pessoas em tratamento possam manter, quando possível e com orientação médica, diferentes aspectos de sua vida.

Hoje, Raiara segue exercendo a profissão que escolheu e dando continuidade aos cuidados com a saúde.

Sua história demonstra que o enfrentamento de uma doença pode coexistir com projetos pessoais e profissionais, respeitando as particularidades e os limites de cada paciente.

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