Entidade defende apuração criteriosa do atendimento e afirma que questionamentos sobre a formação médica não devem resultar na desqualificação de toda a categoria profissional.
O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) se manifestou nesta quinta-feira (29) sobre as declarações da prefeita de Porangatu, Vanuza Valadares (União Brasil), após a perda gestacional de uma paciente atendida na rede municipal de saúde.
A manifestação ocorreu depois da divulgação de um vídeo gravado durante uma visita da prefeita à paciente, no sábado (24). Na ocasião, a gestora criticou a formação médica no Brasil, responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por problemas na área e questionou a abertura de cursos de medicina.
O caso provocou reação da entidade representativa dos médicos, que pediu responsabilidade na divulgação das informações e investigação técnica das circunstâncias do atendimento.
Sindicato pede respeito à paciente e ao profissional
Em nota assinada pela diretora administrativa Sheila Ferro, o Simego demonstrou preocupação com a exposição pública do episódio.
A entidade reconheceu o direito da paciente de relatar sua experiência e solicitar esclarecimentos, mas ressaltou que o profissional envolvido também deve ter a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos.
Para o sindicato, eventuais falhas precisam ser investigadas a partir dos prontuários, dos registros de atendimento e das condições em que o serviço foi prestado.
O Simego também destacou que discussões sobre a qualidade da formação médica são legítimas, desde que fundamentadas em critérios técnicos e sem generalizações sobre os profissionais.
A entidade não apresentou conclusão sobre a existência de erro médico no caso.
Prefeita criticou cursos de medicina e governo federal
A controvérsia começou após a circulação de imagens em que a prefeita conversa com uma mulher que havia perdido o bebê durante a gestação.
A paciente relatou dores intensas e afirmou que, em atendimentos anteriores, não teria recebido tratamento adequado para problemas de saúde posteriormente identificados.
Durante a conversa, Vanuza questionou a qualidade da formação médica e declarou que seria necessário fechar faculdades de medicina no país.
A prefeita também associou o episódio à política federal de expansão dos cursos da área e fez críticas ao governo Lula.
Até o momento, entretanto, não foi apresentada comprovação de uma relação entre a formação do profissional responsável pelo atendimento, as políticas federais de educação médica e a perda gestacional.
Prefeitura apresenta cronologia dos atendimentos
Em resposta à repercussão, a Prefeitura de Porangatu informou que a paciente foi atendida em 13 de outubro, quando um exame de urina não identificou infecção urinária.
Segundo a administração municipal, a mulher retornou à unidade no dia 19. Nessa ocasião, um novo exame apontou a infecção, e o tratamento foi iniciado.
Posteriormente, foi confirmada a perda gestacional.
A prefeitura informou que a paciente permaneceu sob assistência médica enquanto aguardava transferência e foi encaminhada, no dia 25, ao Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu.
A gestão municipal afirmou que o atendimento será apurado para esclarecer os acontecimentos e identificar possíveis falhas.
Município justifica manifestação da prefeita
Em nota, a Prefeitura de Porangatu declarou que as falas de Vanuza ocorreram em um momento de comoção diante do sofrimento da paciente.
A administração afirmou que a prefeita reagiu à situação como gestora pública e também como mãe, diante do relato de uma mulher que havia perdido o filho.
O município reiterou respeito aos profissionais de saúde e defendeu a melhoria da qualidade dos serviços prestados à população.
Investigação deverá esclarecer circunstâncias da perda
A divergência entre a prefeita e o sindicato ocorre enquanto permanecem sem esclarecimento definitivo as circunstâncias clínicas da perda gestacional.
A identificação de eventual falha assistencial depende da análise dos documentos médicos e da avaliação dos órgãos competentes.
Da mesma forma, não é possível estabelecer, com base apenas nos relatos divulgados, uma relação de causa e efeito entre os atendimentos anteriores e a morte fetal.
O caso permanece em discussão em Porangatu, com manifestações da administração municipal e da entidade médica em defesa da apuração dos fatos.


