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Agro brasileiro se mobiliza para evitar embargo europeu à carne; Goiás movimentou US$ 189 milhões em exportações

Setor agropecuário e governo federal articulam resposta técnica para atender novas exigências sanitárias da União Europeia.

O avanço das exigências regulatórias da União Europeia sobre a produção animal colocou o agronegócio brasileiro em estado de atenção. O temor do setor é que o bloco europeu suspenda, já no segundo semestre de 2026, as importações de carne do Brasil caso o país não comprove adequação às novas regras sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos.

Em Goiás, um dos principais polos pecuários do país, o impacto potencial preocupa produtores e entidades do setor. Somente em 2025, o estado exportou 26,3 mil toneladas de carne para o mercado europeu, movimentando cerca de US$ 189 milhões.

CNA e Ministério da Agricultura aceleram articulações

Diante do cenário, representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Ministério da Agricultura e Pecuária realizaram reuniões estratégicas nesta semana para alinhar medidas emergenciais que serão apresentadas aos auditores europeus.

A União Europeia pretende endurecer as restrições sobre substâncias utilizadas na alimentação animal com potencial de atuar como promotores de crescimento. A exigência deve entrar em vigor a partir de setembro.

Caso o Brasil não apresente garantias técnicas suficientes, existe a possibilidade de exclusão do país da lista de exportadores autorizados para o bloco europeu.

Goiás aposta em rastreabilidade e adequações técnicas

Analista técnico do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg/Senar/Ifag), Marcelo Penha avalia que o estado já possui ferramentas importantes para atender parte das exigências internacionais.

Segundo ele, Goiás já opera com o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), mecanismo de rastreabilidade utilizado especialmente para animais destinados à exportação para a Europa.

“O sistema controla todo o manejo do animal, desde raça, idade e sexo até o protocolo sanitário exigido para exportação”, explicou.

Ele pondera, no entanto, que a principal dificuldade pode estar em cadeias produtivas como aves e suínos, onde o rastreamento individual é mais complexo.

Alternativas naturais ganham força no campo

Outro desafio envolve a substituição de antimicrobianos usados na alimentação animal. Segundo Marcelo, o setor já estuda alternativas naturais capazes de manter desempenho produtivo sem ferir as exigências internacionais.

Entre as opções citadas estão:

  • Tanino de base vegetal
  • Óleos essenciais
  • Compostos derivados de leveduras

“O tanino tem apresentado boa resposta e pode ser uma alternativa viável”, afirmou.

Europa representa pequena fatia das exportações goianas

Apesar da preocupação, o mercado europeu ainda representa parcela relativamente pequena das exportações goianas de carne. Segundo a Faeg, cerca de 4% do total exportado pelo estado segue atualmente para a União Europeia.

Ainda assim, o setor considera estratégico manter presença no mercado europeu devido ao peso comercial e à relevância internacional do bloco.

“Não queremos perder esse mercado. O foco é atender às exigências e manter a competitividade”, ressaltou Marcelo Penha.

Governo de Goiás reforça monitoramento do setor

Em nota, a Secretaria de Estado de Agricultura Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) afirmou que acompanha permanentemente os indicadores econômicos e sanitários do agronegócio goiano.

A pasta destacou que Goiás possui estrutura produtiva consolidada, capacidade sanitária reconhecida e experiência em rastreabilidade animal, fatores considerados estratégicos para adaptação às novas exigências internacionais.

Além disso, o estado reforçou a interlocução com entidades do setor para monitorar possíveis desdobramentos e apoiar eventuais adequações.

Missão europeia será decisiva

A definição sobre um possível embargo dependerá diretamente da missão técnica que a União Europeia pretende realizar no Brasil ainda no segundo semestre deste ano.

Auditores internacionais devem avaliar presencialmente as condições sanitárias, os protocolos de rastreabilidade e o sistema de defesa agropecuária brasileiro.

Enquanto isso, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) reforça que as exportações seguem normalmente autorizadas e que o embargo ainda não foi oficializado.

O setor agora corre contra o tempo para evitar impactos econômicos e preservar o acesso brasileiro a um dos mercados mais exigentes do mundo.

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