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Ataque de R$ 180 milhões a banco europeu leva PF a cumprir mandados em Goiânia, Anápolis e Senador Canedo

Operação investiga grupo suspeito de movimentar cerca de R$ 180 milhões desviados do Commerzbank; mais de 17 mil transações teriam sido realizadas com cartões emitidos sem autorização.

Uma investigação internacional sobre um ataque cibernético contra uma das maiores instituições financeiras da Alemanha chegou a Goiás. A Polícia Federal cumpriu mandados em Goiânia, Anápolis e Senador Canedo durante uma operação destinada a desarticular o grupo suspeito de movimentar aproximadamente 30 milhões de euros — cerca de R$ 180 milhões — retirados do banco alemão Commerzbank.

A ofensiva policial, denominada Operação Klonen, foi deflagrada nesta quinta-feira (13) e alcançou também municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro. Ao todo, foram expedidos quatro mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão.

A investigação aponta para uma estrutura financeira sofisticada criada para movimentar e ocultar os recursos obtidos após o ataque ocorrido em 2023.

Mais de 17 mil transações entram na investigação

Segundo as apurações, parte fundamental da engrenagem financeira funcionava por meio de 136 cartões de pagamento que teriam sido emitidos sem autorização dos respectivos beneficiários.

Esses cartões teriam sido utilizados em aproximadamente 17 mil operações fraudulentas.

A partir daí, o dinheiro percorria diferentes caminhos. A PF investiga o uso de contas bancárias intermediárias, empresas, instituições de pagamento e plataformas de ativos virtuais como mecanismos para pulverizar os valores e dificultar a identificação da origem dos recursos.

O modelo chama atenção pela combinação entre fraude cibernética e estratégias tradicionais de lavagem de dinheiro, com diferentes etapas destinadas a distanciar os valores do ataque inicial.

Goiás aparece entre os alvos da operação

A presença de três municípios goianos entre os locais onde foram cumpridas ordens judiciais coloca o estado em posição relevante nesta etapa da investigação.

Além de Goiânia, Anápolis e Senador Canedo, as diligências ocorreram no Rio de Janeiro e nos municípios paulistas de Guarulhos, Carapicuíba e Indaiatuba.

Os mandados buscam reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam ajudar a Polícia Federal a reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e identificar a participação individual dos investigados.

Dinheiro teria chegado até campanha eleitoral

Outro ponto que amplia a repercussão do caso é a suspeita de que parte dos recursos tenha sido destinada ao financiamento de uma campanha política.

Segundo a investigação, valores associados ao esquema teriam chegado à campanha de um candidato a vereador de Nilópolis, no Rio de Janeiro, durante as eleições municipais de 2024.

A eventual origem ilícita desses recursos e as circunstâncias da movimentação financeira integram as apurações.

Até o momento, a identidade do candidato não foi divulgada oficialmente.

Impressora 3D capaz de fabricar armas é apreendida

Durante as buscas, os policiais também localizaram uma impressora 3D que, segundo a investigação, possuía capacidade para produzir componentes de armas de fogo.

O equipamento foi apreendido e deverá passar por perícia.

A descoberta adicionou uma nova frente à investigação, que inicialmente estava concentrada na fraude bancária, na estrutura utilizada para movimentar os valores e na possível lavagem do dinheiro desviado.

Investigação envolve cooperação com instituições financeiras

A Operação Klonen integra o Projeto Tentáculos, iniciativa voltada ao enfrentamento de fraudes bancárias eletrônicas e desenvolvida em cooperação entre a Polícia Federal, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e instituições financeiras.

Os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um e o avanço das apurações, por crimes como furto qualificado mediante fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O caso evidencia uma característica cada vez mais presente nas grandes investigações financeiras: crimes iniciados no ambiente digital podem atravessar fronteiras em segundos, enquanto o rastreamento do dinheiro exige uma operação capaz de conectar movimentações bancárias, empresas, cartões, criptoativos e pessoas distribuídas por diferentes estados — e, neste caso, por diferentes países.

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