O governador Ronaldo Caiado (PSD) anunciou nesta quarta-feira (18), durante a abertura do ano legislativo na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), que enviará à Casa um projeto de lei para extinguir o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra) — e, consequentemente, a chamada “taxa do agro”.
O anúncio foi feito no encerramento do discurso, em um gesto carregado de simbolismo político: Caiado chamou o vice-governador Daniel Vilela (MDB) à tribuna, sinalizando unidade administrativa e já projetando o cenário sucessório para abril de 2026.
Justificativa econômica
Segundo o governador, a decisão leva em conta o cenário adverso enfrentado pelo setor produtivo. Ele citou:
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Ausência de uma política nacional estruturada de seguro rural;
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Impactos climáticos severos que atingiram diversas regiões do país;
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Elevação do custo de produção agrícola;
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Queda nos preços das commodities.
“O produtor rural precisa de fôlego”, afirmou Caiado ao defender a retirada da contribuição.
O projeto será protocolado nesta quinta-feira (19). Além disso, o Executivo também enviará outro texto que prevê anistia a mais de 10 mil produtores rurais, cuja soma de multas chega a aproximadamente R$ 1 bilhão.
O que era o Fundeinfra
Criado em 2022, o Fundeinfra tinha como objetivo financiar obras de infraestrutura, especialmente conservação e melhoria da malha rodoviária estadual. O fundo era abastecido por uma contribuição incidente sobre produtos do agronegócio como soja, milho, cana-de-açúcar e carne bovina.
As alíquotas variavam entre 0,50% e 1,65%, vinculadas à fruição de benefícios fiscais de ICMS.
Desde sua criação, a chamada “taxa do agro” enfrentou resistência significativa de produtores rurais — inclusive de uma das bases eleitorais históricas do próprio governador. Em 2022, Caiado chegou a ser vaiado em evento em Rio Verde, polo do agronegócio goiano.
Movimento estratégico para 2026
A decisão tem impacto direto no tabuleiro eleitoral.
A taxa vinha sendo apontada como um dos principais flancos de ataque contra Daniel Vilela em uma eventual candidatura ao governo em 2026. Ao extinguir o fundo, Caiado neutraliza um discurso da oposição e reduz desgaste junto ao setor produtivo.
Além disso, a medida também elimina um ponto sensível caso o próprio governador avance em uma eventual corrida ao Palácio do Planalto.
Impactos e próximos passos
A extinção do Fundeinfra abre questionamentos sobre:
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Como o Estado compensará a arrecadação destinada à infraestrutura;
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Se haverá novo modelo de financiamento de obras rodoviárias;
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Qual será o impacto fiscal da anistia bilionária.
O governo ainda não detalhou como ficará a estrutura de financiamento das obras atualmente custeadas pelo fundo.
A proposta agora depende de tramitação e votação na Alego, onde a base governista mantém maioria.
O anúncio marca uma inflexão na política econômica voltada ao agro em Goiás — e reposiciona o governo na relação com um dos setores mais estratégicos do Estado.


