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Caso Haddad: vídeo divulgado pela Segurança Pública não mostra abordagem policial denunciada por campanha

Gravação mostra viatura passando pelo veículo estacionado na Vila Mariana sem policiais desembarcarem; equipe do candidato contesta interpretação das imagens e pretende pedir perícia no material.

Um novo conjunto de imagens divulgado pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) adicionou um novo capítulo à denúncia de suposta intimidação policial envolvendo a campanha de Fernando Haddad (PT), candidato ao Governo de São Paulo.

A gravação mostra uma viatura da Polícia Militar passando lentamente ao lado do carro utilizado pelo motorista do petista na noite de terça-feira (11), na Vila Mariana, zona sul da capital. Nas imagens divulgadas, porém, não é possível observar policiais desembarcando, parando a viatura ou mantendo contato direto com o profissional naquele ponto do trajeto.

O material passou a ser utilizado pela SSP para contestar parte do relato apresentado pela campanha. A equipe de Haddad, por outro lado, mantém a denúncia e afirma que as imagens não descartam que o motorista tenha sido acompanhado anteriormente.

O que aparece na gravação

Segundo a sequência divulgada, o motorista chega à Rua Joinville, em frente a um hotel, por volta das 21h58. Ele sai do automóvel, abre o porta-malas, retira um objeto e retorna ao interior do veículo.

Cerca de 20 minutos depois, às 22h24, uma viatura passa devagar ao lado do carro e segue pela rua. O registro não mostra desembarque dos policiais nem contato entre os agentes e o motorista. Dois minutos depois, às 22h26, o veículo deixa o local.

A SSP afirma que a Polícia Militar já analisou imagens provenientes de 70 câmeras de segurança e que, até o momento, não encontrou registros que comprovem abordagem, acompanhamento ou perseguição policial ao automóvel. A pasta também sustenta que a viatura registrada na Vila Mariana seria diferente daquela observada anteriormente na região onde Haddad mora.

Campanha mantém versão de intimidação

A divulgação das imagens não encerrou a controvérsia. A campanha de Haddad reafirmou o relato do motorista e anunciou que pretende solicitar uma perícia no vídeo apresentado pela Secretaria da Segurança Pública.

Segundo a equipe do candidato, a passagem da viatura pelo local seria compatível com a versão de que o carro foi acompanhado até o hotel. A campanha também argumenta que os ocupantes da viatura aparecem observando o automóvel.

O motorista também manteve sua versão após assistir às imagens. Mensagens enviadas por ele na própria noite do episódio mostram que o profissional relatou a integrantes da campanha que acreditava estar sendo seguido por uma viatura.

Haddad havia afirmado publicamente que, depois de deixá-lo em casa, o motorista teria sido acompanhado de maneira ostensiva. O candidato também relatou que policiais teriam direcionado uma luz para o interior do veículo quando ele ainda estava no carro.

Episódio chega ao Ministério Público Eleitoral

A controvérsia ultrapassou o embate entre a campanha e o governo paulista.

A Procuradoria Regional Eleitoral abriu procedimento para apurar o episódio e solicitou esclarecimentos às autoridades estaduais. Entre as informações requisitadas estão dados relacionados à atuação das equipes policiais na região e à eventual existência de ordens para a operação.

A própria Polícia Militar instaurou uma apuração interna. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), adversário de Haddad na disputa pelo Governo de São Paulo, afirmou que o caso deverá ser investigado tecnicamente.

Até o momento, portanto, existem versões divergentes sobre o episódio. A SSP sustenta que as imagens analisadas não demonstram irregularidade policial, enquanto a campanha de Haddad mantém a acusação de acompanhamento e intimidação.

A conclusão dependerá das investigações em andamento e da análise do conjunto de registros disponíveis — ponto especialmente relevante em plena campanha eleitoral, quando uma ocorrência envolvendo agentes públicos e um candidato ao governo exige apuração capaz de separar percepção, narrativa política e fatos comprovados.

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