Uma cuidadora de 47 anos, moradora de Valparaíso de Goiás, foi presa preventivamente nesta quarta-feira (26) sob suspeita de se aproveitar da rotina de trabalho em uma instituição de acolhimento para furtar joias de mulheres idosas. Os crimes teriam ocorrido na Asa Norte, em Brasília, e provocado prejuízo estimado em R$ 50 mil.
A investigada foi identificada como Joselaine Gomes Lourenço. Segundo as apurações, ela tinha acesso aos quartos das residentes em razão da própria função e teria utilizado a confiança estabelecida com as vítimas para retirar objetos de valor.
Entre as peças levadas estariam anéis, colares, medalhas e pingentes de ouro. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga pelo menos cinco ocorrências registradas entre abril e junho deste ano.
Câmeras registraram ações
O circuito interno de segurança da instituição se tornou uma das principais peças da investigação.
Em uma das gravações, a cuidadora aparece auxiliando uma idosa a retirar um colar. Na sequência, segundo a investigação, ela esconde o objeto na própria mão antes de deixar o quarto.
Outro episódio teria ocorrido enquanto uma das residentes dormia. A vítima acordou no momento em que a cuidadora tentava retirar um anel de seu dedo. As imagens do sistema de monitoramento ajudaram os policiais a reconstruir a dinâmica das ocorrências.
A suspeita de que justamente uma profissional responsável pelos cuidados das vítimas estaria envolvida nos furtos ampliou a gravidade do caso. Os investigadores apontam que o acesso proporcionado pela função teria facilitado as ações.
Suspeita já cumpria prisão domiciliar
A apuração também revelou um elemento anterior à contratação da cuidadora: Joselaine já cumpria pena em regime domiciliar por condenação definitiva por tráfico interestadual de drogas.
Em 2014, ela havia sido presa durante a Operação Tártaro, realizada pela Coordenação de Repressão às Drogas. Na ocasião, foi apontada como integrante de uma organização ligada ao tráfico, exercendo a função de intermediária em contatos e negociações.
O histórico acrescenta um novo questionamento ao caso: como uma pessoa que cumpria pena domiciliar conseguiu ser contratada para exercer uma função diretamente ligada aos cuidados de pessoas idosas e vulneráveis.
Polícia fez buscas em Valparaíso
Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou uma operação de busca e apreensão na residência da investigada, em Valparaíso de Goiás.
O objetivo é tentar localizar as joias e demais pertences levados das vítimas, além de reunir elementos que possam indicar a existência de outros casos ainda não identificados.
A investigação segue sob responsabilidade da 2ª Delegacia de Polícia da Asa Norte. Uma das frentes agora é justamente determinar a dimensão total dos furtos e verificar se outras residentes da instituição também podem ter sido vítimas.
O caso chama atenção não apenas pelo valor dos bens envolvidos, mas principalmente pela circunstância em que os crimes teriam ocorrido. Em um ambiente destinado ao cuidado de pessoas idosas, a relação entre profissional e paciente depende diretamente de confiança. É justamente esse vínculo que, segundo a investigação, teria sido utilizado para facilitar os furtos.

