A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impôs restrições à campanha presidencial de Renan Santos provocou reação imediata do partido Missão e de aliados do candidato nesta segunda-feira (31). Nas redes sociais, uma imagem do presidenciável passou a circular com uma tarja e a palavra “censurado”, em protesto contra a determinação do ministro Dias Toffoli.
O próprio Renan alterou a foto de seus perfis para a imagem em preto e branco com a marca de “censurado”. Integrantes ligados ao Missão e ao MBL também aderiram à mobilização, entre eles Arthur do Val, Amanda Vetorazzo e Kim Kataguiri.
A reação ocorre após Toffoli determinar cautelarmente a suspensão da propaganda eleitoral da chapa majoritária do Missão em endereços digitais que não teriam sido informados tempestivamente à Justiça Eleitoral.
A decisão também suspendeu novos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), proibiu gastos com eventuais recursos já recebidos pela chapa e impediu Renan e seu vice, Aroldo Medina, de participarem de debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação. A campanha de rua não foi proibida.
No centro da controvérsia estão os canais digitais utilizados pela candidatura.
Segundo a decisão, Renan e Medina apresentaram inicialmente ao TSE, em 7 de agosto, apenas parte dos endereços relacionados à campanha. Uma nova comunicação feita em 19 de agosto acrescentou outros perfis. Toffoli apontou que 16 contas teriam sido informadas 12 dias depois do requerimento de registro da candidatura. Uma delas possuía cerca de 2,4 milhões de seguidores.
Para o ministro, a questão ultrapassa uma irregularidade meramente formal. Toffoli argumenta que a identificação dos canais oficiais permite fiscalização e contribui para preservar a igualdade entre os concorrentes, especialmente diante das regras aplicadas aos sistemas de recomendação das plataformas.
Renan contesta essa interpretação. Antes mesmo da divulgação da nova decisão, o candidato havia afirmado que os perfis foram comunicados às autoridades e atribuiu a controvérsia a problemas no sistema do próprio TSE. Após as restrições, passou a classificar publicamente a situação como censura.
O partido e a chapa terão de apresentar informações sobre quando cada perfil foi criado e quando começou a ser utilizado para propaganda eleitoral, além de esclarecer se existem outros endereços digitais vinculados à campanha.
A medida tem caráter cautelar. Portanto, não representa, neste momento, cassação ou indeferimento definitivo da candidatura de Renan Santos. A regularidade do registro ainda será analisada pela Justiça Eleitoral.
O caso amplia a discussão sobre os limites da propaganda digital nas eleições de 2026 e coloca frente a frente duas interpretações: de um lado, o TSE sustenta a necessidade de cumprimento das regras para garantir fiscalização e isonomia; de outro, Renan e seus aliados afirmam que as restrições representam censura à campanha.

