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Dez anos do dia que chocou Goiás: José Eliton conta como sobreviveu ao ataque em Itumbiara

Ex-governador, que era vice-governador na época, foi baleado durante uma carreata em setembro de 2016. O atirador também matou o candidato Zé Gomes e um cabo da PM. Ele afirma que não sentiu a bala e que a maior cicatriz é a saudade do amigo.

O que aconteceu

Há exatos dez anos em 28 de setembro de 2016 um atentado a tiros durante uma carreata em Itumbiara, no sul de Goiás, matou o candidato a prefeito José Gomes da Rocha, o Zé Gomes, de 58 anos, e o cabo da Polícia Militar Vanilson João Pereira. O então vice-governador e governador em exercício, José Eliton, foi baleado na barriga e sobreviveu.

O ataque aconteceu em plena campanha eleitoral. Zé Gomes liderava as pesquisas para a Prefeitura de Itumbiara e participava de um ato com apoiadores quando o atirador, Gilberto Ferreira do Amaral, servidor da Saúde do município, parou diante do veículo em que estavam os políticos e disparou várias vezes. O homem foi morto no local pelos seguranças que revidaram o ataque.

Além de Zé Gomes e José Eliton, o advogado da prefeitura Célio Rezende também foi atingido e sobreviveu. O deputado federal Jovair Arantes, que estava no mesmo carro, contou na época que todos acreditaram que o homem apenas cumprimentaria o candidato  até sacar a pistola e atirar.

O socorro e a recuperação

José Eliton deu entrada no Hospital Municipal Modesto de Carvalho, em Itumbiara, e foi transferido de UTI aérea para Goiânia, ao lado de Célio Rezende. No Hugol, passou por cirurgia na barriga. A bala atravessou o corpo, mas não atingiu nenhum órgão vital, o que permitiu uma recuperação rápida.

Zé Gomes não teve a mesma sorte: socorrido com vida, ele morreu no hospital em decorrência de um sangramento profundo.

O que diz José Eliton dez anos depois

Em entrevista recente, o ex-governador relembrou o dia em detalhes. Ele contou que chegou a Itumbiara para comemorar o aniversário de casamento e que só voltou ao evento a pedido do amigo. O barulho dos fogos de artifício, segundo ele, encobriu os tiros.

“Eu não senti o tiro, mas percebi que tinha sido atingido quando já estava caído”, relatou.

Sobre as marcas deixadas pelo episódio, José Eliton afirma que não desenvolveu traumas psicológicos e que voltou a disputar eleições dois anos depois. A mudança, diz, foi interna: passou a ter mais prudência e a refletir sobre a própria vida. A saudade de Zé Gomes, no entanto, permanece.

“Ele sempre teve um carisma muito forte, principalmente na região Sul”, recordou.

Quem foi Zé Gomes

Figura histórica da política goiana, Zé Gomes foi vereador de Itumbiara aos 18 anos na época, o mais jovem do Brasil no cargo. Cumpriu duas legislaturas na Câmara Municipal, foi deputado federal por quatro mandatos (1989 a 2003) e depois deputado estadual.

Investigação e desdobramentos

A investigação do caso seguiu nos anos seguintes. Em 2021, um suspeito de envolvimento no atentado foi preso no Paraná, na fronteira com o Paraguai, portando arma e drogas. A identidade dele não foi divulgada pelas autoridades. O autor dos disparos, morto ainda na cena do crime, não chegou a responder pelos atos em vida.

Na época do atentado, a Executiva do PSDB lamentou a morte de Zé Gomes e classificou o ataque como um ato de “violência e covardia”. O TSE, então presidido pelo ministro Gilmar Mendes, também repudiou o caso, assim como diversas autoridades.

O legado de uma data

Dez anos depois, o episódio segue como um alerta sobre a violência política no país. E, para José Eliton, como um lembrete diário do valor da amizade e da vida.

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