O empresário Sidney Aparecido de Oliveira, fundador da rede de farmácias Ultrafarma, foi preso na manhã desta terça-feira (12) durante a Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para desarticular um esquema bilionário de corrupção fiscal envolvendo auditores da Secretaria da Fazenda do Estado.
A ação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec) com apoio da Polícia Militar, também resultou na prisão de Mário Otávio Gomes, diretor estatutário da rede Fast Shop, e de Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal de alto escalão apontado como o operador central do esquema.
As investigações indicam que, entre 2021 e 2025, a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas, beneficiando empresas do setor varejista em troca de vantagens ilícitas relacionadas à compensação de créditos tributários.
Como funcionava o esquema
De acordo com o MP-SP, o auditor fiscal Artur Gomes manipulava processos administrativos para facilitar a quitação irregular de créditos de ICMS de grandes empresas. Para receber os valores ilícitos, ele utilizava a empresa Smart Tax, registrada no nome de sua mãe, como intermediária dos pagamentos.
O crescimento patrimonial da mãe do auditor foi um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores: de R$ 411 mil em 2021 para R$ 46 milhões em 2022, chegando a R$ 2 bilhões em 2023, com parte dos recursos aplicados em criptomoedas.
Interceptações telefônicas, quebras de sigilo bancário e fiscal, além de meses de análise documental, confirmaram a atuação estruturada do grupo, com divisão de funções e um fluxo contínuo de propinas.
Mandados e apreensões
A Operação Ícaro cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em residências, escritórios e sedes das empresas investigadas. Foram apreendidos documentos, computadores, mídias eletrônicas, joias e quantias em dinheiro.
As diligências ainda estão em andamento, e novos alvos podem ser identificados conforme o avanço das investigações.
Possíveis crimes
Os envolvidos poderão responder por corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem ultrapassar 30 anos de prisão, além de pesadas multas e sanções administrativas.
Quem é Sidney Oliveira
Nascido em 1953, em Nova Olímpia (PR), Sidney Oliveira começou a trabalhar em farmácias ainda jovem. Na década de 1980, chegou a administrar uma rede com 12 unidades no Paraná, mas vendeu o negócio para se mudar para São Paulo.
Após fundar e vender a Drogavida em 1998, criou a Ultrafarma em 2000, apostando no mercado de medicamentos genéricos com preços acessíveis. A rede hoje conta com mais de 400 unidades licenciadas, forte presença no comércio eletrônico e faturamento anual superior a R$ 800 milhões.
Oliveira também expandiu para o setor de cosméticos e suplementos com as marcas RAHDA e Sidney Oliveira, lançando, em 2014, a maior linha de vitaminas do Brasil. Conhecido por seu apelo popular, especialmente entre o público idoso — o que lhe rendeu o apelido de “Rei das Velhinhas” —, ele é também reconhecido por apoiar causas sociais e religiosas ligadas à Igreja Católica.
Repercussão
Até o momento, a Ultrafarma não se manifestou sobre a prisão e as acusações. A Fast Shop informou que ainda não teve acesso ao conteúdo integral da investigação, mas declarou estar colaborando com as autoridades.
A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo afirmou que instaurou processo administrativo para apurar internamente as condutas e solicitou formalmente o compartilhamento das informações obtidas pelo MP-SP.
Próximos passos
As investigações da Operação Ícaro continuam, com possibilidade de novos desdobramentos e prisões. O MP-SP reforça que o objetivo é desmantelar completamente a estrutura criminosa e responsabilizar todos os envolvidos no esquema, que é considerado um dos maiores casos recentes de corrupção fiscal no país.


