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Eleições 2026: TRE-GO reforça fiscalização contra deepfakes, desinformação e fraudes eleitorais

Magistrados do TRE-GO apontam rapidez na disseminação de conteúdos falsos como um dos principais desafios do pleito e alertam para deepfakes e fraudes relacionadas à cota de gênero.

A poucos dias do início oficial da propaganda eleitoral, a Justiça Eleitoral de Goiás concentra atenção em um adversário que não aparece nas urnas, mas pode interferir diretamente na formação da opinião dos eleitores: a desinformação.

A preocupação foi destacada nesta sexta-feira (14), durante o Café com a Imprensa, promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). No encontro, integrantes da Corte abordaram os principais desafios para as eleições de 2026, com destaque para a circulação acelerada de conteúdos falsos ou manipulados e para o uso irregular de ferramentas de inteligência artificial.

O desembargador Laudo Natel chamou atenção para um problema que ganhou dimensão ainda maior com as redes sociais: muitas vezes, uma informação irregular alcança milhares de pessoas antes que uma decisão para sua retirada consiga produzir efeito.

A velocidade, portanto, tornou-se parte central do desafio. Uma publicação pode ser replicada, recortada, compartilhada em aplicativos de mensagens e reproduzida em diferentes plataformas em questão de minutos.

Inteligência artificial amplia preocupação

A evolução das ferramentas de inteligência artificial acrescenta uma nova camada ao combate à manipulação eleitoral.

Entre os pontos destacados pelo TRE-GO estão os chamados deepfakes, conteúdos sintéticos capazes de alterar ou reproduzir artificialmente imagem e voz de pessoas, criando situações que podem parecer autênticas para quem recebe o material.

Laudo Natel ressaltou que a regulamentação eleitoral proíbe o uso de deepfakes na propaganda independentemente de o conteúdo ser utilizado para atacar um adversário ou beneficiar determinada candidatura.

A preocupação não está apenas na sofisticação tecnológica. O problema também envolve a capacidade de disseminação dessas peças e a dificuldade de parte do público em identificar rapidamente se determinado vídeo, áudio ou imagem foi manipulado.

O próprio TRE-GO já trata a desinformação como conceito mais amplo do que simplesmente uma notícia falsa: pode envolver conteúdo fabricado, enganoso, manipulado ou retirado de contexto.

Fraudes à cota de gênero também estão no radar

A fiscalização eleitoral não estará concentrada exclusivamente no ambiente digital.

Durante o encontro, Laudo Natel também destacou a recorrência de casos relacionados à fraude à cota de gênero, situação que exige, segundo ele, acompanhamento rigoroso da Justiça Eleitoral.

O tema ganha importância especialmente após o encerramento das convenções e a formalização das candidaturas, quando a Justiça passa a analisar registros e eventuais questionamentos envolvendo as chapas apresentadas pelos partidos.

TRE-GO defende segurança das urnas

Outro assunto abordado foi a confiabilidade do sistema eletrônico de votação.

O desembargador Adenir Teixeira afirmou considerar superada a discussão sobre a segurança das urnas eletrônicas e destacou o nível de auditoria realizado nos últimos processos eleitorais.

“As eleições anteriores foram as mais auditadas da história”, afirmou.

A presidente do TRE-GO, desembargadora Elizabeth Maria da Silva, também ressaltou a importância da atuação conjunta com profissionais da imprensa para ampliar a transparência do processo eleitoral e enfrentar a circulação de desinformação, inclusive aquela produzida ou potencializada por inteligência artificial.

Campanha começa sob vigilância digital

O alerta ocorre em um momento decisivo do calendário eleitoral. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet começa neste domingo (16), depois do encerramento do prazo para registro das candidaturas neste sábado (15).

A partir daí, o volume de conteúdo político tende a crescer significativamente nas redes sociais e aplicativos de mensagens, aumentando também a necessidade de fiscalização.

Se em eleições anteriores as fake news já representavam um desafio, em 2026 a inteligência artificial amplia a capacidade de produzir materiais convincentes em escala e velocidade muito maiores.

Para a Justiça Eleitoral, a disputa contra a desinformação passa, portanto, por uma combinação de fiscalização, aplicação das regras, tecnologia, transparência e informação confiável ao eleitor. Em uma campanha cada vez mais digital, identificar o que é verdadeiro pode se tornar tão importante quanto conhecer as propostas de quem disputa o voto.

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