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Em meio ao segundo turno, Kassab pede equilíbrio entre Executivo e STF e mantém PSD independente

Presidente nacional do PSD afirma esperar uma relação equilibrada entre o próximo governo e o Judiciário, rejeita o impeachment de ministros do STF como bandeira política e mantém o partido sem apoio presidencial unificado.

Kassab alerta para risco de crise entre Poderes caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, manifestou preocupação com a possibilidade de agravamento das tensões entre o governo federal e o Supremo Tribunal Federal (STF) caso Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Apesar do alerta, o dirigente afirmou confiar na estabilidade das instituições brasileiras e disse não acreditar que o país enfrentará uma ruptura institucional.

As declarações foram dadas em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada na sexta-feira (9), em meio à disputa entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Kassab também comentou o fortalecimento da direita no Congresso Nacional, a posição do PSD no segundo turno e os resultados eleitorais do partido.

Kassab defende estabilidade entre Executivo e Judiciário

Questionado sobre a possibilidade de uma crise institucional em um eventual governo Flávio Bolsonaro, Kassab afirmou que espera uma relação equilibrada entre os Poderes.

Embora reconheça a existência de tensões políticas envolvendo o Supremo e setores do Congresso, o dirigente disse confiar no funcionamento das instituições democráticas.

Na avaliação de Kassab, divergências entre autoridades devem ser resolvidas pelos mecanismos constitucionais, sem comprometer o funcionamento do Estado.

O presidente do PSD também ressaltou que a apresentação de propostas de mudanças institucionais faz parte do debate político legítimo, desde que respeitados os procedimentos previstos na Constituição.

Presidente do PSD critica impeachment como bandeira política

Outro tema abordado foi a eleição de uma bancada conservadora fortalecida no Senado, onde parlamentares aliados ao bolsonarismo defendem medidas contra ministros do STF.

Kassab se posicionou contra a transformação do impeachment de magistrados em uma prioridade política.

Para ele, a atuação parlamentar deve concentrar esforços na fiscalização, na investigação de possíveis irregularidades e na transparência das instituições.

A declaração ocorre em um cenário no qual a relação entre o Supremo e o Congresso permanece entre os principais temas do debate político nacional.

PSD mantém independência no segundo turno

Apesar de ter participado da disputa presidencial como vice na chapa de Ronaldo Caiado, Kassab não anunciou apoio pessoal a Lula ou Flávio Bolsonaro.

O PSD decidiu liberar seus integrantes para escolherem seus candidatos no segundo turno.

A decisão permite que diferentes lideranças do partido apoiem projetos políticos distintos, sem que isso represente uma posição oficial unificada da legenda.

Ronaldo Caiado, por exemplo, declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Já nomes como Otto Alencar, Antonio Brito e Eduardo Paes estão alinhados à candidatura de Lula.

Kassab afirmou que pretende preservar a unidade partidária e manter o PSD em uma posição independente, independentemente do resultado presidencial.

Resultado eleitoral frustra planos de expansão do PSD

Na entrevista, o dirigente também avaliou o desempenho do partido nas eleições de 4 de outubro.

O PSD havia estabelecido a meta de conquistar aproximadamente 70 cadeiras na Câmara dos Deputados, mas elegeu 43 parlamentares, segundo os números apresentados por Kassab.

A legenda também terá cinco senadores na próxima composição do Congresso e conquistou quatro governos estaduais, com possibilidade de ampliar esse número após o segundo turno no Amazonas.

Kassab atribuiu parte das dificuldades ao crescimento eleitoral do PL, que ampliou sua representação parlamentar e conquistou espaço antes ocupado por outras legendas.

Apesar de reconhecer resultados inferiores às expectativas em algumas disputas, o presidente do PSD rejeitou a avaliação de que o partido tenha sofrido uma derrota generalizada.

Kassab defende candidatura de Ronaldo Caiado

O presidente do PSD também avaliou a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, que recebeu 2,18% dos votos válidos no primeiro turno.

Mesmo sem avançar à etapa final da disputa, Kassab afirmou que considera acertada a decisão de lançar uma candidatura própria.

Segundo ele, a estratégia permitiu ao partido apresentar sua identidade política e defender uma alternativa de centro no cenário nacional.

Kassab também destacou que a legenda havia considerado apoiar Tarcísio de Freitas caso o governador paulista disputasse a Presidência.

Como isso não ocorreu, o PSD optou por apresentar seu próprio candidato.

Relação com Tarcísio e eleições de 2030

Ao comentar o cenário político de São Paulo, Kassab afirmou manter proximidade com o governador reeleito Tarcísio de Freitas.

O dirigente evitou antecipar definições sobre a eleição presidencial de 2030, mas reconheceu a relevância política de Tarcísio no cenário nacional.

Kassab também voltou a defender mudanças no sistema eleitoral brasileiro, incluindo o fim da reeleição para cargos do Executivo e a adoção do voto distrital misto.

As propostas fazem parte de uma agenda de reformas políticas defendida pelo presidente do PSD.

Equilíbrio fiscal também preocupa dirigente

Na área econômica, Kassab afirmou que os candidatos à Presidência ainda precisam apresentar respostas mais claras sobre o equilíbrio das contas públicas.

O dirigente defendeu responsabilidade fiscal, mas criticou a possibilidade de que medidas de ajuste atinjam prioritariamente aposentados e pensionistas.

Para ele, a busca pelo controle das despesas deve considerar a proteção das parcelas mais vulneráveis da população.

O posicionamento reforça a estratégia de independência anunciada pelo PSD, que pretende avaliar propostas de governo de acordo com seu conteúdo, sem assumir compromisso automático com qualquer uma das candidaturas.

O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro.

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