A Justiça de Rio Verde iniciou nesta semana a audiência de instrução e julgamento de Olávio Teles Fonseca, ex-presidente do Sindicato Rural de Rio Verde. Ele responde por acusações de estupro, abuso sexual, coação e violência psicológica contra quatro funcionárias da entidade, entre elas uma menor de idade.
O acusado está preso preventivamente desde novembro de 2025, mesmo período em que renunciou ao cargo de presidente da instituição.
Audiência reúne dezenas de testemunhas
A audiência começou na quarta-feira (11), com a oitiva de dez testemunhas, e teve continuidade nesta quinta-feira (12), quando outras dez pessoas ligadas à defesa devem prestar depoimento.
Ao todo, 37 pessoas devem ser ouvidas durante a fase de instrução processual. A depender do andamento dos trabalhos, a sentença poderá ser proferida ainda nesta etapa do processo.
Em nota, a defesa do acusado afirmou que a audiência ocorre dentro da normalidade jurídica e que acompanha os depoimentos com confiança no esclarecimento dos fatos.
“A defesa acompanha os depoimentos com serenidade e confiança, acreditando que o conjunto das oitivas contribuirá para o completo esclarecimento dos fatos”, declararam os advogados.
Denúncia do Ministério Público aponta abusos dentro da entidade
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), os supostos abusos teriam ocorrido dentro da sala da presidência do sindicato, ambiente que não possuía câmeras de monitoramento.
Segundo as investigações, o local contava com isolamento acústico e sistema de trava eletrônica controlado exclusivamente pelo então presidente.
Relatos apontam que as vítimas eram chamadas sob o pretexto de tratar assuntos administrativos e, no local, teriam sido submetidas a:
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Comentários de cunho sexual
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Toques sem consentimento
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Abordagens íntimas não autorizadas
Relatos de ameaças e pressão psicológica
Depoimentos também indicam que, após o surgimento de suspeitas internas, o acusado teria negado os fatos e interrompido temporariamente as abordagens. Ainda assim, segundo as vítimas, episódios de pressão psicológica e perseguição teriam se intensificado.
Testemunhos apontam que o ex-dirigente teria afirmado possuir influência e recursos financeiros suficientes para evitar eventual prisão. Há também relatos de ameaças contra pessoas que pudessem denunciá-lo.
Investigação começou após denúncia anônima
As apurações tiveram início em setembro de 2025 após denúncia anônima e culminaram na prisão de Olávio em 12 de novembro do mesmo ano, dentro da sede do sindicato.
Na época, a entidade informou que o então presidente solicitou afastamento voluntário e reforçou, em nota pública, que não compactua com condutas que violem princípios institucionais ou éticos.
Defesa contesta acusações
A defesa sustenta que as acusações não serão comprovadas ao longo do processo e questiona a necessidade da prisão preventiva, alegando que o acusado possui residência fixa e exerce atividade lícita.
Os advogados afirmaram ainda que, em razão do segredo de justiça, não podem comentar detalhes específicos do caso.
O processo segue em tramitação.


