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Exportação de miúdos de frango de Goiás cresce 303% com demanda da China e África

Diferenças nos hábitos alimentares abriram mercado para coração, fígado, moela e outras partes das aves; no acumulado do ano, Goiás já faturou US$ 370,5 milhões com exportações de carne de frango.

Partes do frango que nem sempre ocupam lugar de destaque na mesa do consumidor brasileiro estão ajudando Goiás a conquistar novos mercados no exterior. As exportações goianas de miúdos de aves registraram forte expansão em 2026, impulsionadas principalmente pela demanda de países onde coração, fígado, moela e outras partes comestíveis fazem parte da tradição alimentar.

Somente em julho, o valor movimentado por Goiás com a venda desses produtos ao exterior cresceu 303,2% em comparação com o mesmo mês de 2025. Em quantidade embarcada, a alta chegou a 131,1%.

China, África do Sul e Gana aparecem entre os mercados responsáveis pelo avanço.

Hábitos alimentares transformam miúdos em oportunidade comercial

O crescimento ajuda a mostrar como diferenças culturais podem alterar completamente o valor comercial de um produto.

Partes da ave com demanda mais limitada em determinados mercados encontram consumidores em países onde o aproveitamento de miúdos é tradicional. Isso permite à cadeia produtiva agregar valor a uma parcela maior do animal e diversificar o portfólio destinado ao comércio internacional.

Para Goiás, esse mercado ainda é relativamente recente. O fluxo de exportações goianas desses produtos começou em agosto de 2024 e ganhou escala nos dois anos seguintes.

Em 2025, o estado já havia comercializado 30,6 mil toneladas de miudezas para 47 destinos, gerando US$ 35,9 milhões em receita.

O desempenho registrado em 2026 mostra que o segmento continua em expansão.

Carne de frango de Goiás também avança no exterior

Os miúdos chamam atenção pelo crescimento percentual, mas fazem parte de um movimento maior da avicultura goiana.

Entre janeiro e julho deste ano, Goiás exportou 181,9 mil toneladas de carne de frango. Os embarques movimentaram US$ 370,5 milhões.

Na comparação com os sete primeiros meses de 2025, houve crescimento de 18,2% na quantidade comercializada e de 23,3% na receita.

Entre os produtos com maior presença nas exportações estão as coxas com sobrecoxas desossadas, que alcançaram 33,3 mil toneladas no período, e as asas não desossadas, com 15,5 mil toneladas.

Os dois segmentos também avançaram. As coxas e sobrecoxas tiveram aumento de 20,8% no volume exportado, enquanto as asas cresceram 52,3%.

China se consolida como mercado importante para o frango goiano

A China possui papel relevante nessa expansão internacional.

Além da procura por miúdos, o país asiático já aparece entre os principais compradores da proteína produzida em Goiás. No primeiro semestre de 2026, o valor das compras chinesas de carne de frango goiana avançou 80,1%, chegando a US$ 52,7 milhões.

O preço médio pago pela China também ficou acima da média obtida pelo estado naquele período, reforçando a importância comercial do mercado asiático para a cadeia produtiva.

África do Sul, Gana e outros destinos ampliam essa diversificação e reduzem a dependência de poucos compradores.

Goiás está entre os principais polos avícolas do Brasil

A expansão das exportações encontra suporte em uma cadeia produtiva já consolidada.

Goiás ocupa a quinta posição entre os maiores exportadores brasileiros de carne de frango e possui polos importantes de produção nas regiões Centro e Sul do estado.

Rio Verde e Itaberaí estão entre os dez municípios brasileiros com os maiores efetivos de galináceos. A proximidade com grandes áreas produtoras de milho e soja também favorece a atividade, já que os grãos estão entre os principais componentes da alimentação das aves.

No primeiro trimestre de 2026, Goiás bateu recorde no abate de frangos, chegando a 135,6 milhões de animais. O resultado representou crescimento de 7,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Mais mercados significam maior aproveitamento da produção

O avanço dos miúdos mostra outra dimensão da internacionalização do agronegócio goiano.

Não se trata apenas de produzir mais carne, mas de encontrar compradores para diferentes partes do animal e atender mercados com hábitos de consumo distintos.

Enquanto peito, coxa e asa possuem mercados tradicionais, coração, fígado, moela e outras miudezas encontram demanda própria em diferentes regiões do mundo.

Para a indústria, essa diversificação permite ampliar o aproveitamento comercial da ave. Para Goiás, significa transformar diferenças culturais de consumo em novas oportunidades de exportação e geração de receita.

Em pouco mais de dois anos desde os primeiros embarques, as miudezas deixaram de representar uma frente praticamente inexistente nas exportações goianas para integrar um mercado que conecta a produção do estado a consumidores da Ásia e da África.

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