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Guerra comercial faz China ampliar interesse pela América Latina, diz estudo

Empresas buscam na região uma rota mais barata para acessar o mercado dos Estados Unidos.

intensificação das tensões comerciais globais tem colocado a América Latina no radar de exportadores de diversas partes do mundo, em especial da China.

A conclusão é de um estudo da Allianz Research, braço de análise econômica da Allianz Trade, que aponta um aumento significativo no interesse de empresas em acessar o mercado dos Estados Unidos por meio de rotas mais econômicas.

De acordo com o relatório, a procura por alternativas logísticas mais vantajosas fez com que o interesse pela América Latina dobrasse — de 5% para 10% — antes e depois do chamado “Dia da Libertação”, marco simbólico relacionado ao fim das restrições pandêmicas na China.

O documento destaca que a região está se consolidando como um novo polo comercial em meio à reconfiguração das cadeias globais de suprimentos.

salto mais expressivo foi registrado entre as empresas chinesas, cujo interesse em exportar via América Latina subiu 10 pontos percentuais, de 5% para 15%. 

Segundo o levantamento, 35% dos exportadores chineses passaram a considerar a América Latina como parte de sua cadeia de suprimentos após o “Dia da Libertação”, frente a 24% antes desse marco.

Entre os europeus, o avanço também foi relevante, com destaque para os exportadores franceses (de 4% para 15%) e alemães (de 2% para 6%). Já nos Estados Unidos, o interesse aumentou principalmente entre empresas que já atuam na região. 

Enquanto antes os destinos prioritários para realocação eram a Europa Ocidental e a Ásia-Pacífico, agora há uma tendência de permanência dentro da própria América Latina.

Setores em destaque

A análise setorial revelou que o apetite por exportar via América Latina aumentou de forma generalizada, com maior destaque para o setor de energia, que saltou de 4% para 18%.

A mineração vem logo atrás, com crescimento de 13 pontos percentuais (de 6% para 19%). Manufatura (de 4% para 9%), agricultura (de 5% para 9%) e atacado (de 5% para 7%) também apresentaram avanços.

Os economistas destacam que o avanço nas exportações latino-americanas está ligado à abundância de recursos naturais e minerais, o que tem estimulado o fechamento de acordos comerciais com grandes potências como China e União Europeia.

Condições de pagamento: prazos mais longos à vista

O estudo também avaliou os prazos de pagamento nas exportações. Apenas 11% das empresas continuam recebendo em até 30 dias, patamar semelhante ao do ano anterior. Cerca de 70% recebem entre 30 e 70 dias, com percentuais maiores no Reino Unido (75%), França (73%), Itália (73%) e Estados Unidos (73%). 

Por outro lado, Alemanha, Itália e Polônia reduziram significativamente os atrasos superiores a 90 dias. A China ainda concentra a maior fatia de empresas com pagamentos após esse prazo: 6% contra 3% da média global. O setor de manufatura aparece como o mais afetado por esses atrasos. 

Entre os setores com prazos mais curtos (média inferior a 50 dias), estão varejo, computadores e telecomunicações, construção e automotivo. Já os segmentos de equipamentos de transporte, energia, eletricidade, metais, papel e agroalimentar têm prazos mais longos (acima de 50 dias, em média). 

O setor agrícola, por sua vez, apresenta uma tendência mais otimista: 28% das empresas esperam redução nos prazos, frente à média geral de 32%. Nos setores de manufatura e comércio, a expectativa é de estabilidade (24% em cada).

Risco de inadimplência em alta

A pesquisa ainda aponta que quase metade dos exportadores prevê um aumento no risco de inadimplência nos próximos 6 a 12 meses — um salto de 10 pontos percentuais em relação ao início do conflito comercial. O temor é maior entre empresas dos Estados Unidos (56%), Itália (59%) e Reino Unido (62%). 

As preocupações são menores na China (43%) e especialmente na Alemanha e na França (ambas com 34%). 

Os setores de atacado e varejo são os mais preocupados (50%), seguidos por manufatura (46%) e agricultura (40%). O estudo também sugere que empresas com maior faturamento tendem a perceber um risco mais elevado de inadimplência.

Via Agrofay News.

 

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