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Homem trabalha até 23h em Goiânia para tentar pagar dívida de R$ 200 mil

Henderson Batista afirma que assumiu pagamentos após integrantes de um consórcio deixarem de quitar as cotas; hoje, ele divide a rotina entre quatro atividades.

Uma rotina que começa às 5h45 e pode terminar depois das 23h se tornou parte da vida de Henderson Batista, de 30 anos, em Goiânia. Para tentar quitar uma dívida estimada em R$ 200 mil, ele trabalha com a venda de café, produz e comercializa geladinhos, faz corridas como motorista de aplicativo e vende hambúrgueres à noite.

Segundo Henderson, o endividamento começou após participantes de um grupo de consórcio organizado por ele deixarem de cumprir os pagamentos. No último grupo, havia 50 pessoas, com cotas de R$ 1 mil. Um dos participantes possuía três cotas, mas parou de pagar.

Como responsável pela organização, Henderson afirma que decidiu assumir os valores para evitar prejuízos aos demais integrantes. Inicialmente, ele utilizou recursos próprios para manter os pagamentos, mas depois precisou recorrer a empréstimos.

A situação teria se agravado quando outra participante foi presa e também deixou de pagar a cota. Com o acúmulo dos valores assumidos e dos empréstimos contraídos, o prejuízo chegou, segundo ele, a aproximadamente R$ 200 mil.

“Não fugi da responsabilidade. Estou correndo atrás de pagar esse pessoal”, afirmou Henderson.

Jornada começa com a venda de café

Nas primeiras horas do dia, Henderson vende café em um sinaleiro da Avenida Manchester, no Jardim Novo Mundo. A atividade começa por volta das 6h e costuma seguir até as 8h. A mãe dele também participa do trabalho, atendendo clientes em outro ponto da avenida.

A venda rende entre R$ 130 e R$ 200 por dia, conforme o movimento. Henderson estima que consiga obter cerca de R$ 500 livres por semana com aproximadamente duas horas de trabalho diário.

Depois da venda de café, ele retorna para casa para produzir geladinhos ou sai para trabalhar como motorista de aplicativo. Os produtos são levados em uma caixa térmica e vendidos durante as corridas. Cada unidade custa R$ 10.

À noite, a partir das 18h, Henderson vende hambúrgueres na Avenida Anápolis, na Vila Pedroso. O negócio começou com cerca de 20 unidades por dia e, atualmente, chega a aproximadamente 70 hambúrgueres, embora o movimento varie.

Em um dia de faturamento de R$ 2 mil, cerca de metade do valor é destinada à reposição dos produtos. O restante é usado para pagar as dívidas.

“O que sobra da venda do dia, eu mando para alguém que estou devendo”, explicou.

Apoio da mãe

Henderson afirma que o apoio da mãe tem sido fundamental durante o período de dificuldade financeira. Os dois trabalham juntos na venda de café, e ela também é apontada por ele como sua principal referência familiar.

A pressão provocada pela dívida chegou a levá-lo ao desespero. Segundo o relato, em determinado momento ele pensou em tirar a própria vida, mas encontrou apoio para continuar tentando reorganizar a situação.

O caso reforça a importância de buscar ajuda diante de pensamentos de autolesão. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Planos para o futuro

Apesar das dificuldades, Henderson mantém planos para reconstruir a vida financeira. Entre os objetivos estão quitar os débitos, voltar a ter tranquilidade, melhorar a divulgação do trabalho nas redes sociais e comprar novamente um carro.

“Quero quitar essa dívida para poder dormir em paz, sabendo que no outro dia não vai ter ninguém me cobrando”, afirmou.

Nota editorial: os valores da dívida e os motivos que levaram ao prejuízo foram apresentados com base no relato de Henderson à fonte consultada. A matéria não confirma eventual responsabilidade civil ou criminal de terceiros, nem substitui a análise de documentos ou decisões judiciais.

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