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Lobista cobra Pix de R$ 100 mil de ex-secretário de Saúde de Goiânia em mensagens obtidas pela PF

Diálogos atribuídos a Roberta Luchsinger integram investigações da Polícia Federal e registram cobrança feita a Quesede Ayres Henrique em novembro de 2024; defesa de Lulinha contesta as informações divulgadas.

O nome de um ex-secretário de Saúde de Goiânia aparece em novas mensagens obtidas pela Polícia Federal durante investigações que alcançam a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os registros mostram uma cobrança para que Quesede Ayres Henrique providenciasse, com urgência, um pagamento de R$ 100 mil.

O diálogo ocorreu em novembro de 2024. Em áudio enviado ao então interlocutor, Roberta pressiona Quesede para que o Pix fosse realizado e afirma que havia uma pessoa cobrando o dinheiro e prestes a embarcar. Na sequência, o ex-secretário informa que a operação estava sendo providenciada.

Segundo a apuração que revelou as mensagens, naquela noite houve uma transferência de R$ 100 mil para a RL Consultoria, empresa de Roberta. O recurso teria partido de uma empresa comercial de Goiânia.

Viagem de Lulinha aparece no contexto da investigação

Um dos elementos que chamaram a atenção dos investigadores foi a proximidade temporal entre a cobrança e uma viagem internacional de Lulinha.

Na mesma noite em que Roberta afirmou que a pessoa interessada no pagamento estava prestes a embarcar, Fábio Luís Lula da Silva deixou o Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Lisboa, em Portugal.

Esse dado, entretanto, não permite concluir, por si só, que o valor cobrado de Quesede tivesse Lulinha como destinatário. A mensagem divulgada não identifica nominalmente quem era a pessoa mencionada naquele trecho da conversa.

Outros registros encontrados no aparelho de Roberta, porém, são analisados pela PF no contexto das relações financeiras mantidas pela lobista.

Outros diálogos fazem referência a “Fábio”

Em outra conversa, Roberta orienta seu motorista, Ulisses Barbosa Viana Junior, sobre a entrega de dinheiro a uma pessoa chamada “Fábio”. O funcionário relata que o valor estava dentro de um veículo e recebe instruções sobre como deveria realizar a entrega.

Há ainda um registro de julho de 2024 relacionado ao pagamento de R$ 26.809 a uma agência de viagens. Na conversa, Roberta associa a despesa a “Fábio”. As reportagens que tiveram acesso ao material relacionam essas referências a Fábio Luís Lula da Silva.

As mensagens também indicam que Roberta se referia a Lulinha como “sócio” em conversas mantidas com terceiros.

Quesede foi secretário durante gestão de Rogério Cruz

A conexão com Goiás ocorre por meio de Quesede Ayres Henrique, que comandou a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia durante a administração do então prefeito Rogério Cruz.

Quesede foi alvo de investigação relacionada a suspeitas de desvios de recursos públicos na Saúde da capital e se apresentou às autoridades em dezembro de 2024.

As apurações envolvendo Roberta, por sua vez, avançaram sobre possíveis relações e negociações mantidas por ela em diferentes áreas do governo federal. Fatos envolvendo a lobista e Lulinha são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal.

Entre as linhas investigativas estão suspeitas de tráfico de influência envolvendo o Ministério da Saúde e outras estruturas da administração federal.

Defesa de Lulinha contesta conteúdo divulgado

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirma que não é possível atestar a autenticidade das mensagens divulgadas e sustenta que elas não constam dos inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho também nega que Lulinha tenha recebido recursos ilícitos e questiona se todas as referências a “Fábio” existentes nos diálogos dizem respeito efetivamente ao filho do presidente.

As mensagens agora reveladas acrescentam novos elementos às investigações, mas não representam, isoladamente, comprovação de prática criminosa pelos citados. A eventual responsabilidade de cada envolvido depende da análise do conjunto das provas e das conclusões das autoridades responsáveis pelos inquéritos.

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