Criada durante a pandemia, a Mari Amaral cresceu com estratégias de vendas digitais e hoje possui lojas físicas, aproximadamente 60 funcionários e uma rede de mais de 100 profissionais terceirizados.
O que começou como uma pequena produção de roupas na garagem de uma residência em Goiânia se transformou em uma empresa de moda feminina com faturamento anual superior a R$ 33 milhões. A trajetória da Mari Amaral, fundada em 2020 por uma mãe e seu filho, Mateus Amaral Gomes, de 28 anos, mostra como a combinação de experiência na confecção e investimento no comércio eletrônico impulsionou um negócio familiar.
Atualmente, a marca possui duas lojas físicas, comercializa produtos em plataformas digitais e atende consumidores de diferentes estados brasileiros. Os números de faturamento e crescimento foram informados pelo empresário em entrevista ao Mais Goiás.
A experiência da mãe deu origem ao negócio
A história da empresa começou antes de sua formalização como marca.
Natural da Bahia, a mãe de Mateus já trabalhava com roupas desde a adolescência. Em 2009, mudou-se com o marido para Goiânia, atraída pelas oportunidades oferecidas pelo setor de confecções da capital goiana.
Ao longo dos anos, enfrentou mudanças pessoais e profissionais. Após um período afastada da atividade, voltou ao mercado de vestuário e trabalhou em uma fábrica.
Quando a empresa encerrou suas operações, entre 2017 e 2018, recebeu tecidos como parte do acerto trabalhista. O material se tornou o ponto de partida para retomar a produção de calças, confeccionadas com a ajuda de uma costureira.
As primeiras vendas ocorreram entre antigas colegas de trabalho e em feiras de Goiânia, incluindo a tradicional Feira da Lua.
Pandemia levou mãe e filho a investir nas vendas digitais
Em 2020, com as restrições provocadas pela pandemia de Covid-19, a comercialização presencial ficou mais difícil.
Foi nesse cenário que Mateus decidiu utilizar seus conhecimentos em comércio eletrônico para ajudar a mãe.
O jovem já tinha experiência com vendas pela internet, adquirida em uma loja multimarcas da qual era sócio.
A parceria resultou na estruturação da Mari Amaral, que passou a investir em divulgação digital e atendimento on-line.
Na época, a garagem da casa servia para guardar tecidos, cortar materiais e organizar os pedidos. A costura era realizada por profissionais terceirizados.
Com poucos recursos e uma operação familiar, os dois começaram a buscar consumidores fora do círculo de clientes que já conheciam o trabalho da mãe.
Anúncios nas redes sociais ajudaram a ampliar as vendas
Uma das estratégias adotadas por Mateus foi a divulgação de ofertas de roupas por meio de anúncios pagos nas redes sociais.
Entre as campanhas utilizadas estava a venda de kits com duas calças por R$ 99.
O atendimento era realizado principalmente pelo WhatsApp, canal que permitia apresentar produtos, receber pedidos e negociar diretamente com os consumidores.
Com o aumento da procura, a empresa passou a investir também em um site próprio.
O uso combinado de anúncios digitais, atendimento e comércio eletrônico ajudou a ampliar o alcance da marca.
A estratégia também reduziu a dependência das vendas presenciais, que haviam sido prejudicadas durante a pandemia.
Crescimento fez a família deixar a garagem
A expansão trouxe um novo desafio: a falta de espaço.
O volume de tecidos, roupas e pedidos cresceu até comprometer diferentes ambientes da residência.
A família decidiu, então, transferir a operação para um galpão de aproximadamente 250 metros quadrados, na região da Avenida Bernardo Sayão, em Goiânia.
A mudança permitiu organizar melhor a produção e o armazenamento.
Com o passar do tempo, a empresa ampliou novamente sua estrutura e passou a atuar também com lojas físicas.
Hoje, a Mari Amaral mantém duas unidades comerciais, além de vendas pelo site próprio e por plataformas como Shopee, Mercado Livre e TikTok.
Segundo Mateus, consumidores de São Paulo representam entre 25% e 30% da clientela.
Empresa alcança faturamento anual superior a R$ 33 milhões
A evolução das vendas levou a marca a atingir resultados expressivos.
De acordo com Mateus, o faturamento quase triplicou entre 2023 e 2024. No ano seguinte, a empresa registrou crescimento de 70%.
O empresário informou que a Mari Amaral alcançou faturamento anual superior a R$ 33 milhões.
É importante destacar que faturamento representa a receita obtida com as vendas, e não o lucro da empresa. O valor não corresponde necessariamente ao resultado financeiro líquido do negócio.
A expansão também aumentou o número de profissionais envolvidos nas atividades da marca.
Atualmente, a operação reúne aproximadamente 60 funcionários internos, que atuam em setores como corte, acabamento, logística, vendas, atendimento e design.
A produção ainda envolve mais de 100 profissionais terceirizados, responsáveis por parte da costura das peças.
Dificuldades financeiras quase interromperam a trajetória
Apesar do crescimento, a história da empresa também foi marcada por períodos de instabilidade.
Entre o final de 2022 e o início de 2023, as vendas ficaram abaixo das expectativas, provocando dificuldades no fluxo de caixa.
O momento exigiu renegociações com fornecedores e mudanças na administração.
Mateus relatou que chegou a considerar a possibilidade de desistir do negócio.
A experiência levou a empresa a dar maior atenção ao planejamento financeiro, à organização dos processos e ao acompanhamento dos custos.
O empresário passou a compreender que aumentar o volume de vendas não seria suficiente sem uma estrutura administrativa capaz de sustentar o crescimento.
Próximos passos incluem novas lojas e fortalecimento digital
Com a operação consolidada, a Mari Amaral pretende ampliar sua presença no mercado de moda feminina.
Entre os planos apresentados por Mateus estão a abertura de novas lojas e o fortalecimento das vendas pelas plataformas digitais.
O TikTok deverá receber atenção especial nos próximos dois anos, acompanhando o crescimento do comércio eletrônico associado às redes sociais.
Além das metas comerciais, o empresário destaca a responsabilidade de manter uma operação que envolve dezenas de funcionários e profissionais terceirizados.
A trajetória da Mari Amaral evidencia a importância da adaptação de pequenos negócios às mudanças no comportamento dos consumidores.
De uma produção familiar organizada na garagem de casa, a empresa passou a alcançar compradores de diferentes regiões do país, mantendo Goiânia como base de suas atividades.

