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Mais de 55 mil mulheres foram vítimas de violência em Goiás em 2025

Estado registra aumento de ações judiciais, crescimento nas denúncias ao Ligue 180 e segue entre os que mais concentram casos no país.

Goiás encerrou 2025 com um cenário preocupante no enfrentamento à violência contra a mulher. Até novembro, o estado contabilizou 55.689 novos processos judiciais relacionados ao tema, número que já supera todo o volume registrado em 2024, quando foram 50.042 casos, conforme dados do Painel Interativo de Violência Contra a Mulher, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Além do avanço nos processos, o estado permanece na 7ª posição no ranking nacional de crimes de violência doméstica. Até o último dia do ano, 60 mulheres foram vítimas de feminicídio em Goiás, repetindo o mesmo número de mortes registrado no ano anterior — um dado que reforça a gravidade e a persistência do problema.

Violência doméstica lidera ações judiciais

Entre os processos enquadrados na Lei Maria da Penha, a violência doméstica segue como a principal ocorrência, com 31.469 registros. Na sequência aparecem os crimes classificados como “contra a mulher” (12.517 casos) e as lesões cometidas em razão da condição de mulher (7.886).

Também foram contabilizados 5.225 casos de descumprimento de medidas protetivas, além de 2.701 registros de violência psicológica, evidenciando que, mesmo com decisões judiciais, muitas vítimas continuam sob ameaça.

Segundo o CNJ, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) concedeu 40.326 medidas protetivas em 2025. Apesar da agilidade — com média de concessão em quatro dias e casos urgentes atendidos em menos de 24 horas —, cerca de 5.225 dessas medidas foram descumpridas. A maioria das mulheres vítimas de feminicídio possuía medidas protetivas ativas no momento do crime.

Outubro concentrou maior número de registros

A análise mensal mostra que outubro foi o período com maior volume de processos, somando 5.538 casos, seguido por agosto (5.303) e setembro (5.176). Em novembro, até o fechamento parcial dos dados, foram registrados 4.637 novos processos.

Cresce a procura pelo Ligue 180

O aumento da violência também se reflete na busca por apoio. Entre janeiro e novembro de 2025, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 10.297 atendimentos em Goiás, um crescimento de 34% em relação a 2024. Em 67% dos casos, o contato foi feito pela própria vítima.

Cerca de 40% dos atendimentos evoluíram para denúncias formais, encaminhadas aos órgãos de segurança. As violências mais relatadas foram física, psicológica, moral e patrimonial.

Goiás ocupa a 7ª posição nacional em volume de atendimentos no Ligue 180, atrás de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. O telefone foi o canal mais utilizado (62,5%), seguido pelo WhatsApp (17,41%).

Entre os principais motivos de contato estão pedidos de informações sobre o funcionamento da central (1.669 registros), orientações sobre serviços da rede de apoio (1.012) e relatos de violência no ambiente doméstico ou familiar (760).

Números reforçam desafio permanente

Em comparação com 2024, Goiás registrou 5.647 processos judiciais a mais relacionados à violência contra a mulher em 2025. Os dados revelam não apenas o crescimento das denúncias, mas também o desafio contínuo de garantir proteção efetiva às vítimas e prevenir crimes que, em muitos casos, evoluem para desfechos fatais.

O cenário reforça a necessidade de fortalecimento das políticas públicas, da rede de proteção e da atuação integrada entre Justiça, segurança pública e assistência social, para que os números não se repitam — nem nas estatísticas, nem na vida real.