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Mais de 60 mortos: o que se sabe sobre a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro

Diversos bairros foram afetados pela operação mais letal da história do Rio.

Uma das maiores e mais letais ações policiais da história recente do Rio de Janeiro deixou, nesta terça-feira (28), mais de 60 mortos, entre eles quatro policiais. A operação, batizada de “Contenção”, ocorre nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital, e tem como alvo a cúpula do Comando Vermelho (CV). O balanço parcial aponta ainda 81 pessoas presas, 42 fuzis apreendidos e oito agentes feridos, além de quatro moradores atingidos por balas perdidas, todos em estado estável.

🔴 Uma das ações mais intensas já registradas no estado

A ofensiva mobiliza 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, com o apoio de promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Rio. O objetivo é cumprir mandados de prisão contra traficantes escondidos nas comunidades, consideradas bases estratégicas da expansão territorial do Comando Vermelho.

Até o início da tarde, 56 suspeitos haviam sido mortos em confronto, incluindo dois homens vindos da Bahia. A operação é considerada uma das mais letais e complexas da história do Rio, tanto pelo número de alvos quanto pelos recursos empregados.

💣 Traficantes usam drones para lançar granadas

Pela primeira vez, traficantes utilizaram drones equipados com explosivos para atacar as forças de segurança. Os artefatos foram acionados por gatilhos mecânicos e elétricos, o que permitiu o lançamento remoto das granadas sem exposição dos criminosos.

A estratégia, inédita no Brasil, evidencia o nível de organização e poder bélico das facções. Autoridades classificaram o cenário como “de guerra”.

🗣️ Governador Cláudio Castro pede apoio federal

Diante da escalada da violência, o governador Cláudio Castro afirmou que o estado “não tem condições de enfrentar essa guerra sozinho”. Segundo ele, foram feitos três pedidos de apoio com blindados da Marinha e do Exército, todos negados pelo governo federal.

“Essa operação tem pouco a ver com segurança pública. É uma guerra. O Rio está sozinho”, declarou o governador.

Integrantes do governo Lula classificaram as falas como “politizadas”, sugerindo que Castro tenta antecipar o debate eleitoral de 2026. O Ministério da Justiça informou que acompanha o caso, mas ainda não anunciou reforço de tropas federais.

👥 Chefes do tráfico e principais presos

Entre os presos está o operador financeiro de Edgard Alves de Andrade, o Doca, apontado como chefe do Comando Vermelho no Complexo da Penha, e Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, considerado seu braço armado.

De acordo com o Gaeco, os mandados atingem traficantes do Rio e de outros estados que migraram para as comunidades cariocas como parte da expansão nacional do Comando Vermelho. Ao todo, 51 mandados de prisão foram expedidos e 67 pessoas denunciadas por associação ao tráfico.

🔎 Quem é Doca, o chefe do Comando Vermelho na Penha

Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca, é apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no Rio. Ele comanda comunidades estratégicas, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento, algumas tomadas recentemente da milícia.

Segundo o Ministério Público, Doca e outros líderes — como Pedro Bala, Gadernal e Grandão — controlam a venda de drogas, o monitoramento de áreas dominadas e até execuções de rivais. O Complexo da Penha é considerado o epicentro da expansão do CV rumo à Zona Oeste, por sua proximidade com vias expressas e rotas de escoamento.

⚙️ Estrutura da megaoperação

A Operação Contenção reúne diversas forças e recursos estratégicos:

  • 32 blindados terrestres;

  • 2 helicópteros;

  • 12 veículos de demolição;

  • drones e equipamentos de reconhecimento aéreo;

  • ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate.

🏙️ Impactos na cidade

A ofensiva provocou reflexos em toda a capital fluminense. Segundo o Sindicato Rio Ônibus, mais de 50 coletivos foram usados como barricadas por criminosos e 120 linhas tiveram trajetos desviados.

Por segurança, 46 escolas municipais — sendo 29 no Alemão e 17 na Penha — suspenderam as aulas. As universidades UFRJ, Uerj, UFF e Fiocruz também interromperam atividades. A Câmara Municipal do Rio cancelou a sessão plenária do dia.

Moradores relataram intensos tiroteios, colunas de fumaça e barricadas em chamas. Vídeos que circulam nas redes mostram grupos armados fugindo em fila pela mata da Vila Cruzeiro.

📊 Balanço parcial

  • Mortos: 60 (56 suspeitos e 4 policiais)

  • Feridos: 8 agentes e 4 moradores

  • Presos: 81

  • Fuzis apreendidos: 42

  • Linhas de ônibus afetadas: mais de 120

  • Escolas e universidades fechadas: 46 municipais + UFRJ, Uerj, UFF e Fiocruz

A megaoperação é considerada um divisor de águas no enfrentamento ao crime organizado no Rio de Janeiro, mas reacende o debate sobre o uso da força policial e os impactos da violência urbana na rotina de milhares de moradores.

📍 Com informações do Ministério Público do Rio de Janeiro, Polícia Civil, Governo do Estado e agências de segurança pública.