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Marcel van Hattem troca Zema por Flávio Bolsonaro e declara voto no 1º turno

Candidato ao Senado pelo RS anunciou mudança durante live de Flávio e pediu que Zema e outros integrantes do Novo considerem o mesmo movimento na reta final.

A disputa pelo chamado voto útil na direita ganhou um novo capítulo na reta final das Eleições 2026. O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, anunciou que deixou de apoiar Romeu Zema, presidenciável de seu próprio partido, e votará em Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno deste domingo (4).

A mudança foi anunciada na noite desta quinta-feira (1º), durante uma transmissão ao vivo comandada por Flávio após o cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo.

Até então, Van Hattem declarava voto em Zema. Ao anunciar a mudança, argumentou que chegou o momento de concentrar os votos da direita já no primeiro turno.

O movimento amplia uma divisão estratégica dentro do Novo: Zema permanece candidato à Presidência, mas integrantes da própria legenda passaram a defender abertamente o voto em Flávio Bolsonaro.

Van Hattem pede que Novo siga o mesmo caminho

Ao anunciar a decisão, Van Hattem preservou os elogios a Romeu Zema, mas defendeu que integrantes do partido avaliem uma mudança de posição antes da votação.

O deputado afirmou que mantém respeito e admiração pelo candidato do Novo, mas considera prioritário tentar definir a eleição presidencial já no primeiro turno.

Van Hattem também fez um apelo para que o próprio Zema e outros integrantes da legenda considerem apoiar Flávio.

O argumento utilizado é o do voto útil: em vez de distribuir votos entre diferentes candidatos do mesmo campo político, parte da direita defende a concentração no nome que aparece mais competitivo contra Lula (PT).

Movimento dentro do Novo começou antes

Van Hattem não é o primeiro integrante do Novo a seguir esse caminho.

Outros candidatos da legenda já haviam anunciado voto em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, entre eles Marina Helena, candidata a deputada federal por São Paulo.

A movimentação não ocorre à revelia da direção presidencial.

Zema autorizou integrantes do Novo a declararem apoio a Flávio, apesar de manter a própria candidatura ao Palácio do Planalto.

A decisão permitiu que candidatos estaduais e federais da sigla adotassem estratégias eleitorais diferentes da chapa presidencial sem romper formalmente com o partido.

Zema resiste à pressão para desistir

A migração de integrantes do Novo aumenta a pressão política sobre Romeu Zema nos últimos dias da campanha.

Aliados de Flávio Bolsonaro vêm defendendo que candidatos da direita menos competitivos nas pesquisas retirem suas candidaturas para concentrar votos no candidato do PL.

Zema, entretanto, rejeitou a possibilidade de abandonar sozinho a disputa.

A posição apresentada por sua campanha é que uma eventual desistência somente faria sentido dentro de um movimento mais amplo envolvendo outros candidatos do mesmo campo político.

Mesmo permanecendo na eleição, Zema já declarou que apoiará Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno caso não consiga avançar.

Voto útil vira uma das principais disputas da reta final

A movimentação ocorre em um cenário eleitoral apertado.

Levantamentos divulgados nos últimos dias mostram Lula e Flávio Bolsonaro ocupando as duas primeiras posições, enquanto candidatos como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) disputam parcelas menores do eleitorado.

Nesse contexto, a migração dos votos desses candidatos passou a ser considerada um dos fatores capazes de alterar o resultado.

A campanha de Flávio tenta convencer principalmente eleitores identificados com a direita de que concentrar votos em sua candidatura poderia aumentar as chances de vitória já no primeiro turno.

Para isso acontecer, entretanto, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos, excluídos brancos e nulos.

Mudança expõe dilema para candidatos do Novo

A decisão de Van Hattem também evidencia uma dificuldade eleitoral para o Novo.

O partido possui candidato próprio à Presidência, mas parte de seus candidatos disputa eleições estaduais em ambientes nos quais existe forte proximidade política e eleitoral com o PL.

No Rio Grande do Sul, Van Hattem disputa o Senado em uma composição política que também envolve o candidato Ubiratan Sanderson, do PL.

Em outros estados, candidatos das duas legendas também mantêm aproximação.

Isso cria uma situação peculiar: candidatos do Novo podem continuar defendendo suas próprias campanhas proporcionais ou majoritárias enquanto, para presidente, direcionam o eleitor para um adversário do candidato lançado pela legenda.

Reta final pressiona candidaturas menores

A discussão sobre voto útil tende a crescer nas últimas horas da campanha.

Quanto mais próxima a votação, maior é a pressão para que eleitores revejam escolhas com base não apenas no candidato preferido, mas também nas chances atribuídas a cada nome.

É justamente esse argumento que Van Hattem passou a utilizar.

Ao trocar Zema por Flávio Bolsonaro, o candidato ao Senado não apenas mudou seu próprio voto. Ele passou a defender publicamente que outros integrantes do Novo e eleitores da direita façam a mesma escolha.

A decisão transforma o episódio em mais um sinal de que, nos últimos dias antes das urnas, a disputa presidencial também acontece dentro dos próprios campos políticos.

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