O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quarta-feira (2) a realização de uma audiência reservada com Daniel Vorcaro no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. O depoimento ocorreu com a participação do Ministério Público, mas sem a presença da Polícia Federal.
A confirmação surgiu após informações sobre o encontro ganharem repercussão em meio à crise provocada pela divulgação de novos elementos extraídos do celular do ex-banqueiro.
Segundo Mendonça, a audiência foi solicitada expressamente pela defesa de Vorcaro, que relatou “graves intimidações” e pediu que ele fosse ouvido com urgência. O ato foi conduzido por um juiz auxiliar do gabinete do ministro.
A ausência da Polícia Federal se tornou um dos principais pontos de questionamento sobre o procedimento.
Em nota, Mendonça afirmou que a presença de representante do Ministério Público era exigida e foi respeitada. Em relação à PF, sustentou que normas destinadas à proteção da integridade física e psicológica do depoente permitem o afastamento da equipe policial responsável pela investigação em determinadas circunstâncias.
De acordo com o ministro, a decisão de não convocar agentes policiais esteve relacionada justamente às alegações de intimidação apresentadas por Vorcaro, e não a uma escolha de conveniência de seu gabinete.
Mendonça também negou uma informação que poderia ampliar ainda mais a repercussão do encontro: a de que Alexandre de Moraes teria sido assunto durante o depoimento.
“O conteúdo da audiência é resguardado por sigilo legal. Registre-se, apenas, que a informação de que teriam sido abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes não procede”, informou o gabinete.
O esclarecimento ocorre justamente quando Moraes está no centro da repercussão dos novos documentos relacionados ao caso Master. Relatório da Polícia Federal tornou públicas mensagens atribuídas a Vorcaro e a um contato associado ao ministro do STF, material que agora deverá ser submetido à análise institucional da Corte.
Nesta quarta, Mendonça também confirmou outro encontro com Vorcaro, ocorrido em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso Master. Segundo o ministro, a audiência aconteceu por iniciativa do empresário e tratou de uma ação relacionada a créditos de precatórios de interesse do banco.
Mendonça afirmou que apenas ouviu os argumentos apresentados e ressaltou que sua atuação posterior no processo foi contrária à posição defendida pelo empresário.
Os dois episódios são distintos: o encontro de 2025 tratou, segundo Mendonça, de uma questão judicial envolvendo precatórios; já o depoimento recente ocorreu no contexto das investigações e foi motivado, conforme o gabinete, por relatos de intimidação feitos por Vorcaro.
A audiência reservada adiciona mais um elemento à complexa investigação do Banco Master, mas seu conteúdo permanece protegido por sigilo. Até o momento, a informação oficialmente confirmada por Mendonça é de que Alexandre de Moraes não foi tema desse depoimento específico.

