O Paraná encerrou nesta semana a colheita da segunda safra de feijão com 526,6 mil toneladas. Somadas às 338 mil toneladas da primeira safra, o Estado alcança novo recorde anual, com produção próxima de 865 mil toneladas.
O volume consolida a liderança paranaense no ranking nacional, com participação estimada em 25% da produção brasileira. Os dados constam no Boletim de Conjuntura Agropecuária, elaborado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), referente à semana de 11 a 17 de julho.
A segunda safra foi semeada quase integralmente entre janeiro e fevereiro, em uma área de 328 mil hectares — redução de 25% em relação aos 437 mil hectares cultivados no mesmo período do ano passado. Com isso, a produção também caiu: foram colhidas 681 mil toneladas em 2023, contra as 526 mil de 2024.
Apesar da retração, o avanço expressivo da primeira safra compensou o resultado.
“Apesar desse recuo da segunda safra, a produção da primeira, ofertada especialmente em janeiro, teve um aumento expressivo de 102% em relação às 112 mil toneladas do ano anterior”, explicou o agrônomo Carlos Hugo Godinho, analista da cultura no Deral.
“Essas duas safras praticamente definem a oferta estadual, tendo a terceira safra uma relevância mínima”, completou. A estimativa para a terceira safra é de apenas 600 toneladas.
Com a maior disponibilidade interna, o preço caiu. A saca do feijão preto é negociada atualmente a cerca de R$ 121,00 — valor 44% inferior ao de julho de 2023, quando era vendida a R$ 228,38.
Segundo Godinho, a tendência é de retração também na próxima safra. “Com maior disponibilidade interna do produto, a tendência é de redução na área a ser plantada a partir de agosto, em relação à primeira safra 2025/26”.
Milho: colheita avança, mas geadas afetam lavouras
O boletim também atualiza o andamento da colheita de milho. Até esta semana, 29% da área total de 2,7 milhões de hectares da segunda safra 2024/25 já havia sido colhida — desempenho ligeiramente superior à média dos últimos cinco anos, de 20%.
Apesar do bom ritmo, a condição das lavouras remanescentes piorou. As áreas classificadas como “boas” caíram de 68% para 64%.
Já as em situação “mediana” subiram de 18% para 20%, e as “ruins” passaram de 14% para 15%. O Deral atribui a piora às geadas registradas no final de junho.
Mel: tarifas dos EUA preocupam exportadores
O setor de mel também acompanha com apreensão as tarifas adicionais de 50% impostas pelos Estados Unidos, que podem afetar significativamente os embarques. Atualmente, os norte-americanos são responsáveis por 84,1% das compras externas do mel paranaense.
No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 16.170 toneladas de mel, totalizando US$ 52,2 milhões.
Desse total, o Paraná respondeu por 3,8 mil toneladas, com receita de US$ 12,3 milhões — sendo 2,9 mil toneladas (US$ 9,6 milhões) destinadas aos EUA. O Estado é o terceiro maior exportador nacional, atrás de Minas Gerais e Piauí.
Horticultura movimenta R$ 6,2 bilhões
O Valor Bruto de Produção (VBP) da horticultura em 2024 somou R$ 6,2 bilhões, considerando mais de 50 tipos de hortaliças. A batata lidera o segmento, com R$ 1,4 bilhão, seguida pelo tomate (R$ 1,1 bilhão).
Na fruticultura, a laranja ocupa a dianteira (R$ 1,2 bilhão), à frente de morango (R$ 705,3 milhões), uva (R$ 323 milhões) e banana (R$ 256,5 milhões). A floricultura movimentou R$ 271,7 milhões.
“Mesmo com participação acanhada na economia rural do Estado, a horticultura se reveste de importância nas regiões e nos municípios onde está inserida, gerando empregos e renda tanto no campo como nas cidades nos mais diversos elos das cadeias de fornecimento e produção”, afirmou o engenheiro agrônomo Paulo Andrade, do Deral.
Suínos e bovinos: destaque nas exportações e tensão com os EUA
O Paraná liderou as exportações brasileiras de suínos reprodutores de raça pura no primeiro semestre de 2025, com US$ 352 mil em receita — 48,8% do total nacional. Os principais destinos foram Paraguai, Bolívia e outros países da América do Sul. Minas Gerais (US$ 315 mil) e São Paulo (US$ 53 mil) completam o ranking.
Na outra ponta, Minas também lidera nas importações de suínos reprodutores, com US$ 625 mil, seguido por São Paulo (US$ 173 mil) e Paraná (US$ 164 mil).
No setor de bovinos, a nova tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros preocupa os exportadores. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), os próximos embarques estão sob análise.
Em 2024, os EUA foram o segundo principal destino da carne brasileira. Em julho, as cotações da arroba bovina acumulam queda de 5,29%, com o preço médio.
Fonte: Agrofy News


