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PF diz que grupo ligado a Vorcaro pagava R$ 75 mil por mês a hackers para invasões cibernéticas

Investigação aponta esquema de monitoramento ilegal, ataques virtuais e obtenção de dados sigilosos ligados à Operação Compliance Zero.

A Polícia Federal identificou indícios de que hackers contratados por pessoas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro recebiam cerca de R$ 75 mil mensais para executar invasões cibernéticas, monitoramentos ilegais e obtenção de informações sigilosas.

As informações fazem parte das investigações da Operação Compliance Zero e constam em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou nova fase da operação nesta quinta-feira (14).

Pai de Daniel Vorcaro foi preso na operação

Segundo a investigação, Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi preso suspeito de atuar como operador financeiro dos pagamentos direcionados aos grupos investigados.

A PF aponta que a organização criminosa seria dividida em dois núcleos:

  • “A Turma”, responsável por ameaças, intimidações e obtenção clandestina de dados
  • “Os Meninos”, apontado como braço tecnológico especializado em invasões telemáticas e ataques cibernéticos

Conversas detalham divisão dos pagamentos

De acordo com a Polícia Federal, a divisão dos valores foi mencionada em mensagens atribuídas a Luiz Phillipe Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”.

Trechos reproduzidos no relatório apontam que ele seria responsável por distribuir os pagamentos mensais ao grupo de hackers.

A investigação também identificou que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, aparecia em diálogos como responsável operacional pelos repasses financeiros.

PF aponta invasões a sistemas da PF, MPF e FBI

Em outra frente da investigação, a PF afirma que o grupo teria realizado acessos indevidos a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol.

Segundo a decisão judicial, os acessos teriam ocorrido mediante uso indevido de credenciais funcionais de terceiros, permitindo acesso a dados protegidos por sigilo institucional.

As autoridades também investigam supostos monitoramentos clandestinos de jornalistas, autoridades públicas e pessoas consideradas adversárias do grupo econômico ligado ao Banco Master.

Defesa questiona decisão

Em nota divulgada após a operação, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que as medidas judiciais teriam sido tomadas sem análise prévia das explicações da defesa sobre a origem e legalidade dos valores investigados.

Os advogados afirmam que irão apresentar esclarecimentos às autoridades.

Caso amplia repercussão nacional

A Operação Compliance Zero passou a ganhar grande repercussão nacional por envolver suspeitas de espionagem ilegal, ataques digitais e possível uso de estruturas clandestinas para obtenção de informações estratégicas.

As investigações seguem em andamento sob supervisão do STF.

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