A candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República chega à fase decisiva da campanha diante de um desafio dentro da própria legenda: transformar a força nacional do PSD em uma estrutura partidária unificada em torno de seu projeto para o Palácio do Planalto.
Dos 13 candidatos do partido que disputam governos estaduais nas eleições de 2026, cinco declararam apoio ao ex-governador de Goiás. Outros seis estão alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um apoia Romeu Zema (Novo) e outro decidiu permanecer neutro na corrida presidencial.
O cenário evidencia a autonomia dos diretórios estaduais e mostra que, apesar de Caiado representar oficialmente o PSD na disputa nacional, a legenda chega às eleições com seus principais palanques divididos.
Caiado terá apoio em cinco unidades da Federação
O presidenciável goiano contará com palanques de candidatos do PSD no Paraná, Distrito Federal, Rondônia, Santa Catarina e Amapá.
Estão ao lado de Caiado Sandro Alex, candidato no Paraná; José Roberto Arruda, no Distrito Federal; Adailton Furia, em Rondônia; João Rodrigues, em Santa Catarina; e Dr. Furlan, no Amapá.
A composição oferece ao candidato do PSD estruturas eleitorais distribuídas por diferentes regiões do país, mas ainda deixa parte significativa da legenda fora de seu projeto presidencial.
O desafio ganha peso porque candidatos aos governos funcionam tradicionalmente como importantes cabos eleitorais das campanhas nacionais, oferecendo estrutura, presença regional e capilaridade política aos presidenciáveis.
Lula reúne maior número de apoios dentro do PSD
Mesmo concorrendo contra o candidato oficial da legenda, Lula concentra o maior grupo de candidatos estaduais do PSD alinhados ao seu projeto.
Estão neste campo Eduardo Paes, no Rio de Janeiro; Fábio Mitidieri, em Sergipe; Laurez Moreira, no Tocantins; Natasha Slhessarenko, em Mato Grosso; Omar Aziz, no Amazonas; e Raquel Lyra, em Pernambuco.
No caso de Raquel, o alinhamento ocorre sem uma declaração formal de apoio até o momento.
A divisão expõe uma característica da configuração nacional do PSD, partido que reúne lideranças com diferentes posicionamentos ideológicos e mantém alianças regionais que nem sempre acompanham a estratégia adotada pela direção nacional.
Zema também conquista espaço entre candidatos do partido
A fragmentação não se limita ao confronto entre Caiado e Lula.
Em Minas Gerais, Mateus Simões, candidato do PSD ao governo estadual, decidiu apoiar Romeu Zema (Novo) na corrida presidencial. A aproximação mantém uma relação política construída anteriormente, já que Simões foi vice de Zema no governo mineiro.
No Maranhão, Eduardo Braide adotou caminho diferente e optou pela neutralidade na disputa pelo Planalto.
Com isso, os 13 candidatos estaduais do PSD estão distribuídos entre quatro posições: cinco com Caiado, seis no campo de Lula, um com Zema e um neutro.
Palanques estaduais entram no cálculo presidencial
A configuração interna coloca a capacidade de articulação nacional entre os principais desafios de Caiado nesta etapa da eleição.
O ex-governador deixou o comando de Goiás para disputar a Presidência e busca projetar nacionalmente resultados de sua gestão no estado, especialmente nas áreas de segurança pública, educação, equilíbrio fiscal e políticas sociais.
Agora, além de ampliar seu conhecimento entre o eleitorado brasileiro, Caiado precisa fortalecer estruturas regionais capazes de sustentar sua campanha fora de Goiás.
A divisão dentro do próprio PSD mostra que essa construção passa não apenas pela disputa contra adversários de outras legendas, mas também pela consolidação de alianças dentro do partido que escolheu seu nome para concorrer ao Palácio do Planalto.


