A desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado por São Paulo ocorreu depois de uma campanha que já havia movimentado milhões de reais. Dados disponíveis na prestação de contas eleitoral indicam que o deputado federal declarou aproximadamente R$ 2,98 milhões em despesas antes de retirar a candidatura, a menos de uma semana do primeiro turno das Eleições 2026.
A campanha havia arrecadado cerca de R$ 4,58 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 3,6 milhões foram transferidos pelo próprio Novo, enquanto também houve recursos provenientes de doações de pessoas físicas.
Parte expressiva do financiamento partidário utilizado na candidatura teve origem em recursos públicos.
Campanha recebeu cerca de R$ 3,1 milhões em recursos públicos
Os registros divulgados até agora apontam aproximadamente R$ 3,1 milhões provenientes de fundos públicos.
Esse montante envolve duas fontes distintas de financiamento: cerca de R$ 2,3 milhões do Fundo Partidário e aproximadamente R$ 850 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral.
A distinção é importante porque, apesar de ambos utilizarem dinheiro público, os dois mecanismos possuem finalidades e regras próprias.
O Fundo Partidário financia de forma permanente as atividades das legendas e também pode ser utilizado durante campanhas. Já o Fundo Eleitoral é destinado especificamente ao financiamento das disputas eleitorais.
A eleição de 2026 marca a primeira disputa geral em que o Novo utiliza recursos públicos no financiamento de suas candidaturas.
Material gráfico aparece entre as maiores despesas
Entre os gastos informados pela campanha de Salles, a produção de materiais gráficos ocupa a primeira posição.
Foram declarados aproximadamente R$ 894 mil para serviços relacionados à produção de adesivos, santinhos e outros materiais.
Outro gasto expressivo ocorreu na área digital. Cerca de R$ 669 mil foram registrados para impulsionamento de conteúdo na internet.
A campanha também declarou R$ 250 mil em despesas com serviços advocatícios.
Os valores disponíveis atualmente ainda não representam necessariamente a fotografia definitiva das contas. A Justiça Eleitoral continuará recebendo e analisando informações até a apresentação da prestação final.
Desistência ocorreu a poucos dias da votação
Salles anunciou a retirada da candidatura ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Após deixar a corrida pelas duas vagas paulistas no Senado, o deputado declarou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
A saída ocorreu em meio à reorganização das candidaturas apoiadas pelo grupo político de Tarcísio na reta final da eleição.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, Salles aparecia com 4% das intenções de voto. Marina Silva (Rede) registrava 15%, Simone Tebet (PSB), 14%, enquanto Derrite e André do Prado apareciam com 12% cada.
O dinheiro público gasto precisa ser devolvido?
A desistência de uma candidatura não gera automaticamente a obrigação de devolver valores que tenham sido regularmente utilizados durante o período em que o candidato estava na disputa.
Isso ocorre porque a renúncia à candidatura é prevista pela legislação eleitoral e não torna irregulares, por si só, as despesas realizadas anteriormente.
A situação é diferente para recursos públicos que permanecerem sem utilização. Eventuais sobras precisam seguir as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral para sua destinação.
Mesmo depois de desistir, Salles continua obrigado a prestar contas de toda a movimentação financeira realizada durante sua participação no processo eleitoral.
Contas ainda não são definitivas
Os valores divulgados nesta fase devem ser interpretados como dados parciais.
Receitas, despesas e pagamentos ainda podem ser atualizados até a prestação de contas final, quando a Justiça Eleitoral terá uma visão consolidada da movimentação financeira da candidatura.
Por isso, os quase R$ 3 milhões atualmente registrados não devem ser tratados como um valor definitivo da campanha.
Após a entrega das contas, a Justiça Eleitoral poderá analisar a documentação e verificar a regularidade das receitas e despesas declaradas.
A desistência encerra a participação eleitoral de Salles na disputa pelo Senado, mas não encerra suas obrigações relacionadas à transparência e à prestação de contas dos recursos movimentados durante a campanha.

