Com 123 mil votos e fora da Câmara, Aava Santiago poderia ter sido eleita pelo PT, avalia Rubens Otoni
A votação expressiva de Aava Santiago (PSB) nas eleições de 2026 voltou ao centro das discussões políticas em Goiás. Mesmo recebendo 123.311 votos para deputada federal, a parlamentar não conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Para o deputado federal reeleito Rubens Otoni (PT), o resultado poderia ter sido diferente caso ela tivesse aceitado um convite para integrar o Partido dos Trabalhadores.
A avaliação foi apresentada por Otoni nesta sexta-feira (9), durante entrevista à Rádio Manchester. O petista destacou que a escolha da legenda teve peso decisivo no desempenho eleitoral de Aava, que terminou a disputa como a sétima candidata mais votada para deputada federal em Goiás.
Apesar da quantidade de votos recebidos individualmente, o PSB não alcançou o quociente eleitoral necessário para conquistar uma vaga na bancada goiana.
Votação de Aava não foi suficiente para garantir mandato
Aava Santiago recebeu 123.311 votos, número superior ao obtido por diversos candidatos eleitos em Goiás. Entretanto, o sistema proporcional brasileiro não considera apenas a votação individual.
Para a distribuição das cadeiras na Câmara dos Deputados, também são contabilizados os votos recebidos pelo conjunto de candidatos e pela legenda.
No caso do PSB, a concentração de votos em Aava não foi acompanhada por um desempenho suficiente dos demais integrantes da chapa.
O segundo candidato mais votado do partido recebeu 4.564 votos. Desconsiderando a votação de Aava, a legenda somou 34.938 votos, segundo os dados divulgados pelo Mais Goiás.
Esse desempenho coletivo insuficiente impediu que a parlamentar conquistasse uma das vagas destinadas a Goiás na Câmara Federal.
Rubens Otoni aponta possibilidade de eleição pelo PT
Ao comentar o resultado, Rubens Otoni afirmou que Aava poderia ter alcançado uma cadeira no Congresso caso tivesse escolhido o PT para disputar a eleição.
A declaração também revela uma avaliação sobre a composição das forças políticas de esquerda em Goiás.
Na visão do deputado, a eleição de Aava teria ampliado a representação desse campo político na bancada federal.
Otoni ressaltou que não estava manifestando arrependimento pelo resultado, mas analisando uma possibilidade que deixou de se concretizar.
A afirmação, entretanto, representa uma projeção política. Não é possível garantir que uma candidatura por outra legenda teria produzido exatamente a mesma votação ou o mesmo resultado eleitoral.
PT reelegeu dois deputados federais em Goiás
Enquanto o PSB ficou sem representação na Câmara dos Deputados, o PT conseguiu assegurar a reeleição de seus dois parlamentares goianos.
Adriana Accorsi recebeu 177.103 votos e terminou como a segunda candidata mais votada para deputada federal no estado.
Rubens Otoni conquistou 101.902 votos e também garantiu a continuidade de seu mandato em Brasília.
O desempenho dos dois parlamentares reforça a diferença entre a votação individual e a capacidade de cada partido de transformar votos em cadeiras no Legislativo.
É justamente essa diferença que sustenta a avaliação de Otoni sobre a escolha partidária feita por Aava Santiago.
Entenda por que candidatos muito votados podem ficar sem mandato
Nas eleições proporcionais, utilizadas para escolher deputados federais, estaduais e vereadores, o resultado depende de uma combinação entre a votação individual e o desempenho da legenda.
Primeiro, a Justiça Eleitoral calcula o quociente eleitoral, dividindo o total de votos válidos pelo número de vagas disponíveis.
Depois, são aplicadas as regras de distribuição das cadeiras entre partidos e federações, considerando os votos obtidos e os critérios previstos na legislação.
Por isso, um candidato com votação expressiva pode ficar sem mandato caso sua legenda não alcance as condições necessárias para participar da distribuição de vagas.
O caso de Aava Santiago se tornou um exemplo dessa característica do sistema eleitoral brasileiro.
Aava também enfrenta disputa judicial por mandato em Goiânia
Além do resultado da eleição federal, Aava Santiago vive um momento de indefinição jurídica envolvendo sua cadeira na Câmara Municipal de Goiânia.
A parlamentar deixou o PSDB e se filiou ao PSB, mudança que motivou uma ação por infidelidade partidária no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).
Após decisão que determinou a perda do mandato, o suplente Michel Magul (PSDB) chegou a tomar posse na sexta-feira (9).
Entretanto, na noite do mesmo dia, o corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, concedeu uma liminar suspendendo os efeitos do acórdão do TRE-GO.
A medida foi motivada por indícios de possíveis falhas na elaboração do documento judicial, incluindo questões relacionadas à revisão humana de textos produzidos com auxílio de inteligência artificial.
A suspensão é provisória e não representa uma decisão definitiva sobre a acusação de infidelidade partidária.
O TRE-GO terá prazo para prestar esclarecimentos ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Resultado reacende debate sobre estratégias partidárias
O desempenho de Aava Santiago nas urnas evidencia a importância da formação de chapas competitivas nas eleições proporcionais.
A parlamentar demonstrou capacidade de mobilização eleitoral ao superar a marca de 123 mil votos, mas não conseguiu converter esse apoio em uma vaga na Câmara Federal.
A avaliação de Rubens Otoni acrescenta um componente político ao resultado: a possibilidade de que uma composição partidária diferente tivesse alterado a distribuição de cadeiras em Goiás.
Embora esse cenário não possa ser comprovado retrospectivamente, a declaração mostra como as decisões sobre filiação e formação de chapas podem influenciar o resultado de uma eleição, mesmo quando um candidato conquista uma votação individual elevada.

